Rio de Janeiro, 23 de Maio de 2026

Pesquisadores avançam contra vírus HPV

Segunda, 06 de Junho de 2005 às 08:10, por: CdB

O papilomavírus humano (HPV), responsável direto pelo câncer do colo do útero, vem recebendo atenção especial de uma equipe de pesquisadores brasileiros que trabalham no desenvolvimento de uma vacina contra este vírus que é o segundo maior responsável por morte de mulheres, perdendo apenas para o câncer de mama.

A Área de Genética do Instituto Butantã, coordenada por Willy Beçak, utiliza, há seis anos, recursos da engenharia genética para criar uma vacina contra as variantes HPV 16 e HPV 18 do vírus. Os testes da vacina ainda estão em nível de laboratório, e a previsão é de que entre cinco e seis anos haja resultados efetivos.

- Há mais de cem tipos de papilomavírus que afetam seres humanos, incluindo os que provocam simples verrugas, mas essas duas variantes são as mais freqüentemente associadas ao câncer de colo do útero. Ainda não chegamos aos testes clínicos, em humanos, mas nossos resultados em laboratório têm sido bastante satisfatórios - afirma Beçak.

O trabalho no instituto segue duas linhas: a primeira linha, a partir de VLP (ou virus like particles, na sigla em inglês), significa que utilizamos os principais componentes do vírus, menos o seu 'miolo', que é o DNA. Já a segunda linha de pesquisa - que só o Butantã vem desenvolvendo, conforme Beçak - trabalha justamente com o DNA do vírus, utilizando, porém, apenas seus fragmentos.

- A vantagem de não usar vírus inteiros em nenhum dos dois casos é que estimulamos a resposta imunológica na pessoa sem o risco de ela se contaminar, já que o vírus, incompleto, não tem condições de se multiplicar - diz o pesquisador.

Para ambas as linhas de pesquisa, o objetivo é desenvolver uma vacina preventiva, que seria aplicada em larga escala, em campanhas públicas e em mulheres que ainda não iniciaram sua vida sexual - estima-se que 70% das mulheres sexualmente ativas sejam portadoras dos vírus HPV 16 ou 18 ou os dois, mesmo que eles não se manifestem -, e uma vacina terapêutica, que seria destinada no tratamento de quem já desenvolveu o tumor maligno.

- Com as vacinas preventivas, obtivemos imunidade em ratos de laboratório. Com as terapêuticas, conseguimos regredir o tumor. Só não sabemos ainda se ele poderia voltar ou não, mesmo com a aplicação da vacina - explica Beçak.

Um grupo de pesquisadores do Instituto Ludwig de Pesquisa sobre o Câncer, liderado por uma brasileira e patrocinado pela multinacional Merck, também está desenvolvendo uma vacina contra HPV. Eles já divulgaram resultados positivos de testes que mostram eficácia média de 90% contra reinfecções e verrugas provocadas por quatro tipos do vírus (6, 11, 16 e 18).

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