Rio de Janeiro, 19 de Maio de 2026

Pesquisadora retoma estudo sobre fóssil encontrado no Rio

Domingo, 03 de Julho de 2005 às 16:11, por: CdB

Um mamífero raro que viveu há 65 milhões de anos em território fluminense deverá ganhar notoriedade no segundo semestre deste ano. Os fósseis do animal - cujo nome científico ainda é segredo - que haviam sido descobertos na década de 50 e se encontravam dispersos em várias instituições de ensino e pesquisa, foram reunidos pela pesquisadora Lílian Paglarelli Bergqvist no laboratório de macrofósseis do Departamento de Geologia da UFRJ.

O laboratório, no qual o grupo de pesquisa chefiado por Bergqvist conduz o estudo, ganhou recentemente novos equipamentos que ajudam o trabalho de investigação sobre as origens desse mamífero que viveu no Paleoceno - o período mais antigo da Era Cenozóica. Os equipamentos foram adquiridos com recursos repassados pela Faperj à pesquisadora - contemplada em 2004 no edital Primeiros Projetos da Fundação.

A pesquisadora ainda não determinou a data do anúncio oficial de sua mais recente descoberta. Enquanto não chega o momento de divulgar o achado, o esqueleto do mamífero vem sendo montado com o apoio da decania do Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza da UFRJ.
No laboratório, o trabalho ganhou agilidade com a aquisição de novos equipamentos e a redivisão do espaço anteriormente destinado à preparação dos fósseis.

- Os recursos da Faperj permitiram, além da consolidação do grupo de pesquisa, separar as áreas de preparação química e mecânica - explica a pesquisadora.

Com os novos investimentos, o espaço utilizado para a pesquisa no laboratório pôde ser adequado a modernas normas de segurança, ganhando ainda um sistema de ar-comprimido para motores de alta rotação, ferramenta indispensável para a preparação mecânica dos fósseis.

Uma das primeiras colaboradoras do Instituto Virtual de Paleontologia da Faperj, Bergqvist, professora-adjunta da UFRJ desde 1998, tem participado ativamente das campanhas em prol da revitalização do Parque Paleontológico de Itaboraí. Atualmente, ela é responsável pela coordenação de um grupo de bolsistas Jovens Talentos, da Faperj, que desenvolve atividades na área de paleontologia junto ao parque.

- É fundamental lutar pela preservação da bacia de Itaboraí. Ali está o mais antigo registro brasileiro que pode nos ajudar a compreender o que se passou no período de transição entre a extinção dos dinossauros e a grande irradiação dos mamíferos - diz. Para Bergqvist, no entanto, ainda há deficiências e uma carência de bolsas, sobretudo de iniciação científica e de apoio técnico às tarefas realizadas em laboratório.

- Em nossa especialidade, a presença de técnicos traz grande contribuição em tarefas como a triagem do material e a sua preparação mecânica e química - detalha. Sobre o trabalho de divulgação científica realizado pela Faperj, Bergqvist apóia a iniciativa da Fundação.

-  É um fato muito positivo que ajuda a despertar o interesse do público em geral pela ciência como um todo, e, em particular, pela paleontologia -  diz a pesquisadora.

O interesse pela paleontologia, ciência que frequentemente envolve, por meios diversos, outras áreas do conhecimento, tais como a geologia, biologia, geografia, arqueologia, medicina e a química, atravessa período de franca expansão no país. Nos últimos meses, pesquisadores de diferentes regiões do país anunciaram descobertas de impacto, divulgadas em publicações científicas de renome. Até o final do ano, Bergqvist e seus pares que se dedicam à paleontologia já têm agendados vários encontros. No mais importante deles, se reunirão no 2º Congresso Latino-Americano de Paleontologia de Vertebrados, de 10 a 12 de agosto próximo, no Rio de Janeiro.

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