Rio de Janeiro, 29 de Setembro de 2026

Pesquisa sobre violência doméstica

Sexta, 15 de Julho de 2011 às 08:30, por: CdB

Por Instituto Avon / Ipsos

Pesquisa: 59%conhecem uma mulher que já sofreu violência doméstica

Seis em cada 10 brasileiros conhecem alguma mulher que foivítima de violência doméstica. Desse total, 63% tomaram alguma atitude, o quedemonstra a mobilização de grande parte da sociedade para enfrentar o problema.

Esses são alguns dos achados da pesquisa Instituto Avon/Ipsos – Percepções sobre aViolência Doméstica contra a Mulher no Brasil, divulgada hoje(28/06). Entre 31 de janeiro a 10 de fevereiro de 2011, foram entrevistados1.800 homens e mulheres acima de 16 anos que vivem nas cinco regiõesbrasileiras. A pesquisa contou com a contribuição do Instituto Patrícia Galvãoe da Palas Athena.

Trata-se do segundo estudo sobre o tema realizado peloInstituto Avon. O primeiro foi feito em 2009, emparceria com o Ibope.

"A pesquisa divulgada hoje pelo Instituto Avon contribuipara a compreensão das atitudes e percepções sobre violência doméstica aqui noBrasil, como também abre oportunidades para educação e recursos que vão nãosomente assistir as vítimas no curto prazo, como também colaboram para por fimno ciclo da violência contra as mulheres no longo prazo.” (Andrea Jung,presidenta mundial da Avon).

59% conhecem umamulher que já sofreu violência doméstica

"Ao mostrar que 59% dos entrevistados declaram conheceralguma mulher que já sofreu agressão, a pesquisa nos indica que estamosconseguindo quebrar - mesmo que devagar, mas com consistência - a ideia de‘naturalidade’ da violência contra a mulher. Há um crescimento da tomada deconhecimento dessa violência no país, não só da sociedade, mas do Estadobrasileiro, que esteve distante de políticas públicas para enfrentar esseproblema.” (Iriny Lopes, ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheresda Presidência da República).

94% conhecem a LeiMaria da Pena, mas apenas 13% sabem o conteúdo

"O problema da violência doméstica é muito sério e vai setornar cada vez mais visível. A Lei Maria da Penha ainda é nova; quanto mais aLei se tornar conhecida, mais casos de mulheres que sofrem violência irãoaparecer. A partir da Lei, as pessoas conseguem identificar que uma amiga, umavizinha sofre violência.

A Lei está mostrando para o país que a violência contra amulher é muito grande. Mas ela precisa ser mais conhecida e a imprensa tem umpapel fundamental em divulgá-la. Não só jornais, rádios, mas também osprogramas infantis devem, de forma leve, mostrar para as crianças o que é aviolência e orientá-las para pedir ajuda. Uma criança que vivencia um paiagredindo uma mãe também é uma vítima.” (Maria da Penha Maia Fernandes,biofarmacêutica que deu nome à Lei Maria da Penha - Lei nº 11.340/2006,que coíbe e pune a violência doméstica contra as mulheres).

62% reconhecem aviolência psicológica

"A pesquisa demonstra, com números contundentes, que apercepção de homens e mulheres sobre a gravidade da violência contra a mulheravança na sociedade brasileira. Hoje, 62% da população já reconhece a violênciapsicológica como uma forma de violência doméstica.” (Jacira Melo, diretora doInstituto Patrícia Galvão).

Método inédito:anonimato permite dados mais próximos da realidade

"Esta é a primeira pesquisa que capta informações de homense mulheres em condição de anonimato. Em certo momento da entrevista, as pessoaspreenchem algumas perguntas sem se identificarem, nos revelando umcomportamento o mais próximo possível da realidade. Um dos fatos maisimportantes revelados pela pesquisa é que 62% reconhecem aspectos bastantediferenciados do que seja a violência, como agressões verbais, humilhação,ameaças e outras formas de violência psicológica. Até pouco tempo atrás, nãotínhamos esse tipo de percepção.

Na música, no cinema, a imagem é sempre do tapa, do soco, daagressão física. A pesquisa aponta que a percepção da violência está sendoredefinida. Importante também que o estupro doméstico, pela primeira vez, éidentificado como forma de violência”. (Fátima Jordão, socióloga, especialistaem pesquisas de opinião e conselheira do Instituto Patrícia Galvão)

27% das mulheresentrevistadas declararam já ter sido vítimas de violência doméstica – enquantoapenas 15% dos homens admitiram ter praticado esse crime

"Um dado importante e inovador da pesquisa é a inclusãoe o reconhecimento do sexo forçado como uma forma de violência, porque adisponibilidade sexual das mulheres é um dado quase pacífico nas relaçõesafetivas. É a primeira vez que o tema estupro aparece e isso mostra um avançona percepção das mulheres sobre si mesmas, que passam a não concordar mais como ato sexual com a obrigação de atender o homem e estar sempre disponível parao marido”. (Júnia Puglia, coordenadora de Programa da ONU Mulheres Brasil eCone Sul)

Acessea versão em pdf da publicação com os principais achados da Pesquisa Instituto Avon/Ipsos - Percepções sobre aViolência Doméstica Contra a Mulher no Brasil (2011)

Mais informações:
Betina Piva: redacao.betina@ppagina.com
(11) 5575-1233, ramal 212 – (11) 9464-2098
Instituto Avon

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