Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

Pesquisa revela que maioria dos chineses não comprariam transgênicos

Segunda, 19 de Abril de 2004 às 14:50, por: CdB

A primeira pesquisa sobre a atitude dos consumidores na China continental com relação aos alimentos transgênicos foi divulgada, nesta segunda-feira, pela organização não governamental (ONG) Greenpeace. O levantamento demonstra que a maioria dos chineses (87%) exige o direito de ser informado se os alimentos contêm ou não organismos geneticamente modificados (OGMs). O estudo revelou ainda que 40% dos consumidores preferem comida não transgênica e que apenas 24% optariam pelos transgênicos. A pesquisa, encomendada pelo Greenpeace, foi realizada pelo Research International em fevereiro deste ano, por telefone, com 600 pessoas de Pequim, Xangai e Guangzhou.

Dada a forte demanda pelo direito à informação sobre os produtos presentes nos alimentos, 70% dos participantes afirmaram que perderiam a confiança em uma marca se fosse descoberto que seus produtos contêm ingredientes geneticamente modificados, e essa informação não estivesse exibida no rótulo. Por sua vez, 40% das pessoas que responderam à pesquisa disseram que teriam mais confiança em marcas que se comprometessem com uma política de não transgênicos.

- O debate global sobre alimentos transgênicos cresceu, já que a Europa introduziu ontem uma legislação mais rígida sobre a rotulagem de transgênicos, garantindo a rastreabilidade - disse Xu Lijun, da Campanha de Engenharia Genética do Greenpeace na China.

Xu Lijun no momento está no Brasil, participando de atividades de consumidores no Rio Grande do Sul.

- Os consumidores estão enviando um claro sinal para a indústria alimentícia de que exigem o direito de escolher. As companhias arriscam perder um mercado significativo, além da confiança das pessoas, se apostam nos transgênicos - disse.

A coordenadora da Campanha de Engenharia Genética do Greenpeace no Brasil, Mariana Paoli, acredita que esta é uma "oportunidade de ouro" para o país.

- Com a crescente rejeição dos consumidores chineses aos alimentos transgênicos, o Brasil tem uma oportunidade única frente aos seus concorrentes, como EUA e Argentina, por ser o maior produtor de soja não transgênica do mundo. Esta oportunidade pode ser perdida caso o país adote o plantio de soja transgênica em larga escala. O Brasil é o único país capaz de atender à demanda crescente no mercado internacional pelo grão não transgênico - disse.


A China é o centro de origem e diversidade da soja, com mais de seis mil variedades da espécie, correspondente a 90% do total existente no mundo. O país, que proíbe o plantio comercial da soja geneticamente modificada, importou 20,7 milhões de toneladas do grão em 2003. Especialistas chineses estimam que mais de 70% da soja importada pelo país é transgênica, já que a maior parte vem dos EUA, Argentina e Brasil. As importações de soja transgênica em larga escala correspondem a uma ameaça para a biodiversidade da espécie, pois pode acarretar a contaminação genética das variedades tradicionais.


A China está importando mais soja para atender à demanda crescente de carne e óleo, e os consumidores de seus centros urbanos estão reforçando suas exigências pelo direito a um alimento saudável. No ano passado, uma mãe de Xangai, Zhu Yanling, processou judicialmente a gigante Nestlé por não rotular um produto transgênico que ela comprava para seu filho de dois anos de idade. A pesquisa do Research International também apontou que 55% dos participantes não comprariam alimentos com OGMs para seus filhos.

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