Foram analisadas células presentes no cérebro de camundongos e furões e também em organoides derivados de células-tronco humanas
Por Redação, com ABr - de Brasília:Estudo publicado pela revista norte-americana Cell Press identificou a possibilidade de o virús zika acessar células-tronco neurais por meio de uma proteína. A pesquisa mostra que danos no receptor AXL têm relação direta com sintomas associados à infecção em fetos, mas não confirma a correlação entre o zika e a microcefalia.
Foram analisadas células presentes no cérebro de camundongos e furões e também em organoides derivados de células-tronco humanas. Todos os modelos, segundo o estudo, mostraram a expressão do receptor AXL em células gliais radiais, um tipo de célula-tronco neural que dá origem a outras células, como os neurônios.
Boletim divulgado esta semana pelo Ministério da Saúde informa que, desde outubro de 2015, 944 bebês nasceram com microcefalia e outras alterações do sistema nervoso, sugestivas de infecção congênita. Do total de 944 confirmados, apenas 130 tiveram exame laboratorial positivo para o zika. Ainda segundo levantamento, 4.291 casos estão em investigação.
Do total de 6.776 casos notificados de bebês com suspeita de terem a malformação, 1.541 foram descartados por apresentarem exames normais ou por apresentarem microcefalia e/ou alterações no sistema nervoso central por causas não infeciosas. A maioria dos casos foi registrada no Nordeste, (5.315), que responde por 78% do total registrado, sendo Pernambuco o estado com o maior número de casos em investigação (1.207).
A microcefalia pode ter como causa diversos agentes infecciosos além do zika, como sífilis, toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus e herpes viral.
Governo de Minas
O governo de Minas Gerais alterou a forma de registrar as ocorrências do vírus zika. Antes confirmada apenas após exame laboratorial, a doença transmitida pelo mosquito Aedes Aegyptiagora pode ser diagnosticada por critério clínico epidemiológico. Na prática, significa que os médicos, considerando os sintomas apresentados pelo paciente, poderão atestar se há infecção por vírus zika ou não.
Com a mudança, o número de vítimas subiu 7.690%. Segundo último boletim epidemiológico da Secretaria de Saúde de Minas Gerais, divulgado na última terça-feira, já estão confirmadas 779 ocorrências da doença em todo o estado. Na semana passada, havia registro de apenas dez casos. O número pode ser ainda maior, já que as suspeitas sob investigação chegam a 4.814.
A Secretaria de Saúde esclareceu que a nova metodologia de diagnóstico segue orientação do Ministério da Saúde. Ressaltou, porém, que só será possível a confirmação por análise clínica em municípios onde já foi registrada a circulação do vírus zika.
O boletim epidemiológico divulgado também indicou que 108 gestantes no estado de Minas Gerais estão com a doença. Outras 304 suspeitas seguem sendo investigadas.
Dengue
Transmitida também pelo mosquito Aedes Aegypti, a dengue é outra fonte de preocupação para a saúde pública de Minas Gerais.
Com o registro de mais um óbito por dengue, subiu para 30 o número mortos pela doença no estado.