O pâncreas de diabéticos tipo 1 volta a funcionar após o transplante de células-tronco do próprio doente, livrando o paciente da necessidade de insulina, segundo pesquisa publicada na edição desta quarta-feira do jornal da Associação Médica Americana.
O estudo, que acompanha 23 voluntários há mais de quatro anos, mostra que os níveis do peptídeo-C, uma espécie de marcador do funcionamento das células produtoras de insulina, aumentaram nos pacientes submetidos à terapia.
Essa substância é um dos resíduos da produção do hormônio pelas células beta do pâncreas e indica que quanto maiores suas taxas, maior a produção de insulina e menor o risco de complicações associadas ao diabetes, como amputações.
A maioria dos voluntários deixou de usar hormônio sintético há mais de três anos, em média, com bom controle da glicemia.
Oito deles precisaram voltar a tomar o hormônio sintético, mas em doses muito baixas, mas mostra que o pâncreas está funcionando melhor também nessas pessoas, apesar de não produzir todo o hormônio de que necessitam.
O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune, em que o próprio sistema de defesa do corpo passa a atacar o pâncreas. A terapia com células-tronco consegue combater essa falha imunológica, mas não recupera as áreas destruídas da glândula. Por isso a necessidade de aplicá-la em pessoas recém-diagnosticadas.
Outro resultado inédito apontado pelos pesquisadores brasileiros foi o efeito da droga sitagliptina, indicada para diabéticos tipo 2, em dois dos pacientes que voltaram a precisar da insulina. Os pacientes ficaram livres do hormônio sintético com dois meses de medicação. A droga estimula a secreção de insulina pelo organismo.