Rio de Janeiro, 10 de Abril de 2026

Pesquisa identifica 63 organizações de sem-terra

O Núcleo de Estudo, Pesquisa e Projetos de Reforma Agrária da Universidade Estadual Paulista (Unesp) fez recentemente um estudo sobre os movimentos de trabalhadores rurais sem terra no Brasil. Foram identificadas 63 organizações no setor. (Leia Mais)

Quarta, 07 de Junho de 2006 às 11:22, por: CdB

O Núcleo de Estudo, Pesquisa e Projetos de Reforma Agrária da Universidade Estadual Paulista (Unesp) fez recentemente um estudo sobre os movimentos de trabalhadores rurais sem terra no Brasil. Foram identificadas 63 organizações no setor.

O levantamento revelou, no entanto, que metade dos sem-terra, cerca de 50 mil famílias, está reunida em torno do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST), responsável pelos atos de violência na Câmara, na terça-feira,  foi considerado "pequeno" pelos pesquisadores.

- O MLST reúne famílias que tem atuado basicamente em Minas, São Paulo e no Rio Grande do Norte. É diferente do MST que atua em todo o Brasil - explicou o coordenador do núcleo da Unesp, Bernardo Mançano Fernandes, em entrevista ao programa Notícias da Manhã, da Rádio Nacional.

Segundo ele, a atuação com violência precisa ser analisa porque não faz parte da tradição de manifestações das famílias e militantes do MLST.

Para Fernandes, os últimos governos não têm conseguido atender as reivindicações feitas pelos trabalhadores rurais sem terra. Na opinião dele, o Judiciário também estaria impedindo a reforma agrária, acatando o pedido de cancelamento dos decretos presidenciais que desapropriam áreas improdutivas.

O professor da Unesp lembrou que o Brasil demorou décadas para estruturar uma legislação própria para a reforma agrária. A primeira iniciativa nesse sentido teria sido o Estatuto da Terra, elaborado em 1964 pelos militares. Durante o governo do presidente José Sarney, foi criado o Primeiro Plano Nacional de Reforma Agrária, seguido em 1993 pela lei de Reforma Agrária.

Pelos cálculos de Fernandes, durante o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, foram assentadas 500 mil famílias. No atual governo, estaria previsto o assentamento de 400 mil famílias.

- É muito provável o presidente Lula cumpra esta meta este ano ainda. Mas isso não atende à demanda. O desemprego tem aumentado, a mecanização no campo tem desempregado muita gente, vem aumentando cada vez mais o número de famílias sem terra - afirmou o pesquisador.

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