Analistas do mercado financeiro não esperam grandes mudanças na taxa básica de juros (Selic) até o final do ano. A pesquisa Focus, do Banco Central (BC), divulgada nesta segunda-feira, mostra que a projeção da Selic para o final do ano é de 11,25% - patamar atual da taxa de juro. Na terça-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) inicia a segunda reunião do ano para reavaliar a Selic. A decisão será divulgada na quarta-feira. A aposta dos analistas consultados pela Agência Estado também é de estabilidade do juro neste patamar.
Ainda segundo a pesquisa Focus, as projeções para a taxa Selic ao final de 2009 subiram de 10,38% para 10,50%. Quatro semanas antes, o número estava em 10,25%. Com essa elevação, a expectativa para a Selic média no decorrer de 2009 passou de 10,60% para 10,63%. Há um mês, estava em 10,50%.
A expectativa de um juro maior em 2009 acompanha a alta das previsões para a inflação. A previsão para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) - usado como referência para a meta de inflação - passou de 4,22% para 4,30%. Há quatro semanas esta previsão era de 4,20%. O mercado também elevou suas projeções para o IPCA deste ano - de 4,40% para 4,41%, a segunda alta seguida. Apesar da alta, a mediana ainda está abaixo do que era há quatro semanas, 4,44%.
Apesar da elevação da maioria das projeções, a mediana do IPCA para fevereiro de 2008 caiu pela terceira semana seguida, de 0,50% para 0,48%. Quatro semanas antes, estava em 0,53%. Para março, a mediana foi mantida em 0,35%, pela 11ª semana seguida.
Uma das surpresas da pesquisa Focus desta semana é que, após 14 semanas seguidas de números inalterados, o mercado financeiro reduziu a projeção para o dólar no final de 2008 - caiu de R$ 1,80 para R$ 1,79. O número estava em R$ 1,80 desde novembro de 2007. Com essa alteração, previsão para o câmbio médio em 2008 caiu de R$ 1,77 para R$ 1,75. Quatro semanas antes, estava em R$ 1,78.
Com relação ao indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o Produto Interno Bruto (PIB), o mercado manteve a expectativa de que o índice deve terminar 2008 em 41,60% do PIB e 2009 em 39,65% do PIB. Um mês antes, as medianas eram, respectivamente, 41,80% e 40%.