Após avaliar o desempenho do candidato tucano à Presidência da República, Geraldo Alckmin, na última pesquisa eleitoral, produzida pelo Instituto Datafolha e divulgado pela TV Globo nesta terça-feira à noite, aumenta no PSDB a percepção de um progressivo abandono por parte de candidatos proporcionais e mesmo a cargos majoritários, tanto tucanos quanto aliados do PFL, à campanha do ex-governador, em praticamente todos os Estados brasileiros. A situação tende a se agravar no Nordeste, constatam os analistas políticos ouvidos pelo Correio do Brasil.
Enquanto Alckmin se consolida em níveis insuficientes para a disputa do segundo turno, na preferência dos eleitores, a avaliação positiva do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu sete pontos nas duas últimas semanas e atingiu o recorde de 52%, consolidando em várias frentes seu favoritismo à reeleição. Se a votação de 1º de outubro fosse hoje, Lula chegaria com 56% dos votos válidos. A pesquisa Datafolha mostra que o início do horário eleitoral na TV, na semana passada, teve pequeno impacto sobre as intenções gerais de voto do eleitor. Mas a TV serviu para reforçar todos os indicadores que favorecem a candidatura Lula.
Entre 8 de agosto e esta terça-feira, Lula subiu dois pontos, de 47% para 49%. Enquanto isso, Alckmin (PSDB), cresceu um ponto, de 24% para 25%. As variações estão dentro da margem de erro do levantamento, de dois pontos percentuais, para mais ou menos. A avaliação positiva de 52% do governo Lula é a maior desde maio de 1987, quando o Datafolha iniciou esse tipo de levantamento, ainda no mandato do ex-presidente José Sarney. O recorde de ótimo/bom obtido antes era do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em dezembro de 1996 (47%).
A pesquisa tende a acelerar o abandono pelos aliados nos Estados do candidato do PSDB e, nas eleições regionais, aliados de Alckmin se afastam dele para tentar um espaço junto ao petista, que recebe o melhor julgamento de sua gestão já registrado na história das avaliações aos governos federais. Os números reforçam a possibilidade de Lula decidir as eleições ainda no primeiro turno. Os índices também ampliam a percepção de derrota de Alckmin e dificulta uma possível reação tucana.
Desde a pesquisa de 18 de julho, Lula subiu cinco pontos percentuais e segue uma curva ascendente. A campanha tucana fica, então, com a diretiva de convencer o eleitor a não reeleger um candidato cujo mandato tem o maior nível de aprovação da história brasileira.