Pesquisa associa mortes prematuras de russos ao álcool
O número elevado de mortes precoces na Rússia deve-se principalmente ao consumo excessivo de álcool, especialmente vodca, sugerem pesquisadores. O estudo, publicado no jornal especializadoThe Lancet, diz que 25% dos homens russos morrem antes dos 55 anos, a maioria deles por causa do álcool.
Segunda, 03 de Fevereiro de 2014 às 07:54, por: CdB
Cada adulto russo bebe, em média, 13 litros de álcool puro por ano
O número elevado de mortes precoces na Rússia deve-se principalmente ao consumo excessivo de álcool, especialmente vodca, sugerem pesquisadores. O estudo, publicado no jornal especializadoThe Lancet, diz que 25% dos homens russos morrem antes dos 55 anos, a maioria deles por causa do álcool. No Reino Unido, a proporção é de 7%. Já no Brasil, onde a violência mata muitos jovens, 37% dos homens não chegam a completar 55 anos.
As causas de morte relacionadas à bebida na Rússia incluem doença hepática e intoxicação por álcool. Muitos também morrem em acidentes ou brigas.
O estudo é considerado o maior do tipo no país. Pesquisadores do Centro de Pesquisa do Câncer da Rússia, em Moscou, da Universidade de Oxford, no Reino Unido, e da Organização Mundial de Saúde na França acompanharam os padrões de consumo de 151 mil adultos, em três cidades russas, por até dez anos.
Durante esse período, 8 mil deles morreram. Os pesquisadores também se basearam em estudos anteriores em que as famílias de 49 mil pessoas mortas responderam sobre seus hábitos de consumo de álcool.
- As taxas de mortalidade dos russos têm flutuado descontroladamente nos últimos 30 anos, na medida em que as restrições ao álcool e a estabilidade social variaram sob os presidentes (Mikhail) Gorbachev, (Boris) Yeltsin e (Vladimir) Putin. A vodca foi o principal fator determinando essa variação no número de mortes - disse o professor de Oxford Richard Peto, um dos autores do estudo.
Cada adulto russo bebe, em média, 13 litros de álcool puro por ano, dos quais 8 litros de destilados, principalmente vodca. No Brasil o número comparável é de 9,2 litros por adulto, sendo que 54% desse consumo é cerveja e 40%, destilados.
Colapso
In 1985, o então líder soviético Mikhail Gorbachev cortou drasticamente a produção de vodca e proibiu a venda da bebida antes da hora do almoço.
Os pesquisadores dizem que o consumo de álcool caiu em cerca de um quarto com essas restrições, assim como as taxas gerais de mortalidade. Depois, com o colapso do comunismo, as pessoas começaram a beber novamente, e as taxas de mortalidade também subiram.
- Quando Yeltsin assumiu o lugar de Gorbachev, as taxas de mortalidade em homens jovens mais do que duplicaram. Isso aconteceu quando a sociedade entrou em colapso e a vodca tornou-se muito mais livremente disponível - disse Richard.
- Houve um grande aumento no consumo, e eles estavam bebendo de uma forma destrutiva - observou.
A maioria dos bebedores eram fumantes, o que agravava as taxas de mortalidade. O consumo entre as mulheres também oscilou de acordo com os acontecimentos políticos, mas, como elas bebiam menos, as taxas de mortalidade eram menores.
A Rússia voltou a adotar um controle mais rígido do consumo de álcool em 2006, incluindo o aumento de impostos e restrições às vendas. Os pesquisadores dizem que o consumo de álcool caiu em um terço desde então, e a proporção de homens que morrem antes de atingirem 55 anos de idade diminuiu de 37% para 25%.
Meio litro de vodca custa em torno de 150 rublos (R$ 10). Os bebedores intensivos acompanhados no estudo estavam consumindo pelo menos um litro e meio de vodca por semana.
'Estilo de vida'
Os pesquisadores dizem que o principal fator que influencia a alta taxa de morte é a forma como os russos bebem álcool.
- Os russos sempre beberam muito. Eles às vezes dizem que é por causa do frio, mas isso é apenas uma desculpa. Este é o estilo de vida da nação, que precisa mudar - disse o pesquisador David Zaridze, do Centro de Pesquisa do Câncer da Rússia.
- A expectativa de vida média dos homens na Rússia ainda é de apenas 64 anos, ficando entre as 50 menores do mundo. São urgentemente necessárias políticas mais eficazes de (restrição ao consumo de) álcool e tabaco - defendeu.
No Brasil, a expectativa de vida dos homens é de 71 anos, e a das mulheres, 78,3.
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