Rio de Janeiro, 12 de Setembro de 2026

Pesquisa aponta que carga tributária é pior do que juros altos

Sondagem realizada com 203 grandes empresários brasileiros revela que a maior parte deles considera a carga tributária (50%) um obstáculo maior para o crescimento de sua empresa do que a taxa de juro (7%). Outros 23% disseram que o nível de procura de produtos e serviços é a maior dificuldade, e 20% apontaram as turbulências do cenário político. (Leia Mais)

Terça, 23 de Março de 2004 às 07:19, por: CdB

Sondagem realizada com 203 grandes empresários brasileiros revela que a maior parte deles considera a carga tributária (50%) um obstáculo maior para o crescimento de sua empresa do que a taxa de juro (7%). Outros 23% disseram que o nível de procura de produtos e serviços é a maior dificuldade, e 20% apontaram as turbulências do cenário político.

A pesquisa foi promovida pelo Grupo de Líderes Empresariais "Lide", e divulgada nesta terça-feira. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, participou do encontro e concordou com o resultado.

- Enquanto ficam analisando as vírgulas das atas do Copom, a carga tributária fica para as páginas internas da imprensa. Há um defeito de comunicação do setor privado", afirmou o ministro.

No início deste mês, estudo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) mostrou que as empresas e pessoas físicas pagaram R$ 64,6 bilhões a mais de impostos no ano passado em relação a 2002. Foram R$ 546,97 bilhões pagos pelos contribuintes aos governos em 2003, ante R$ 482,36 bilhões em 2002. Com esse aumento, a carga tributária do ano passado foi de 36,68% do PIB (Produto Interno Bruto), 0,23 ponto percentual a mais do que os 36,45% de 2002. Vale lembrar que dados oficiais de 2003 ainda não foram divulgados pela Receita Federal.

A sondagem também apontou uma queda da avaliação positiva da eficiência gerencial do governo Lula. Numa escala de zero a cinco, a média ficou em 3,2, ante 4,1 obtida em 24 de novembro do ano passado. Apesar do avaliação mais negativa, Furlan avaliou que não há nenhuma razão concreta para o empresariado mudar seu ânimo em relação a 2004. "Talvez houvesse um excesso de otimismo no ano passado, e agora há um excesso de pessimismo", disse o ministro, destacando um item de sua pasta: as exportações de 2004 superarão a meta de US$ 80 bilhões.

Na questão sobre qual é a expectativa para os negócios de sua empresa em 2004 em comparação  com 2003, o resultado foi mais positivo: 38% disseram que será melhor; 49%, que é a mesma; 7%, pior; 5%, muito melhor; e 1%, muito pior. Quando questionados sobre a possibilidade de gerar empregos, sejam diretos ou indiretos, 59% afirmaram que vão manter o mesmo número de postos que em 2003; 30%, que vão empregar mais; 10%, demitir; 1%, empregar muito; e 0%, demitir muito.

Alca

Em sua exposição, Furlan também defendeu a entrada do Brasil na Alca (Área de Livre Comércio das Américas), cujas negociações estão prevista para se encerrar em janeiro de 2005. Apesar de admitir que a região é marcada por uma assimetria muito forte quando se compara o desenvolvimento dos países ("um só país - os Estados Unidos - possui mais de 80% do PIB da região"), o ministro disse que "o Brasil teria muito a ganhar com o extraordinário mercado norte-americano".

"Nossa discussão tem sido permeada de uma maneira ideológica e muito emocional. Eu tenho certeza que se a posição dos norte-americanos fosse totalmente refratária à Alca, a posição brasileira seria muito mais pró-ativa em relação a isso", acrescentou.

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