Rio de Janeiro, 21 de Outubro de 2026

Pesquisa analisa cobertura dos meios de comunicação sobre o MST

Quarta, 24 de Agosto de 2011 às 12:35, por: CdB

"Umnegativismo quase panfletário”. A consideração de Mônica Mourão, pesquisadora eintegrante do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social, refere-se àcobertura realizada pela mídia sobre o Movimento dos Trabalhadores Rurais SemTerra (MST). O assunto é tema do relatório VozesSilenciadas – A cobertura da mídia sobre o MST durante a Comissão ParlamentarMista de Inquérito, lançado nesta quarta-feira (24) na Tenda Cultural doAcampamento Nacional da Via Campesina, em Brasília (DF).

Aotodo, a pesquisa analisou 301 reportagens que citaram o Movimento entre 10 defevereiro e 17 de julho de 2010, período em que ocorreram as investigações daComissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) sobre o MST. As reportagensforam publicadas nos jornais Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e O Globo;nas revistas Veja, Época e Carta Capital; e nos telejornais Jornal Nacional, daRede Globo, e Jornal da Record, da Rede Record.

Deacordo com a responsável pela pesquisa, a CPMI foi abordada em apenas 2,6% dasmatérias analisadas. A maior parte das publicações em que o Movimento foicitado estava relacionada às eleições (97) e, como nos demais assuntos, apresentavacarga negativa. "Nas eleições, o MST não entrou como ator social para discutirpolíticas agrárias, mas de forma negativa pelos candidatos”, comenta.

Nasmatérias sobre o Abril Vermelho, segundo colocado nos assuntos que a mídiacitou o MST durante o período analisado, o Movimento também não escapou doolhar negativo. "Destaque para o uso de termos pejorativos para se referir aoMovimento [ou as ações dele], como brutalidade, algazarra, atos de vandalismo”,observa.

Aviolência também foi um ponto de destaque nas reportagens. Segundo Mônica, dasmatérias que citaram a violência, 42,5% colocaram o MST como autor de atosviolentos, enquanto apenas 2% apresentaram o Movimento como vítima. "Ou seja,há uma disparidade grande. Não há uma tentativa de balancear”, comenta.

Paraa pesquisadora, o relatório mostra que a "imprensa em geral tem um discursopanfletário em relação ao MST”. De modo geral, ela afirma que não observou nasmatérias elementos "que se espera de um bom jornalismo”, como ouvir os doislados em questão, abordar as causas do movimento, contextualizar as ações, eapresentar as causas e consequências dos fatos.

Direito àcomunicação

ParaMônica Mourão, a pesquisa revela que o debate ainda precisa ir mais além ediscutir o direito à comunicação. "Ainda precisa de uma pluralidade de vozes. Odireito humano à comunicação está sendo violado. Há pouco contraponto”, comenta.

Orelatório Vozes Silenciadas – A coberturada mídia sobre o MST durante a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito éuma realização do Intervozes com o apoio da Fundação Friedrich Ebert e daFederação dos Trabalhadores em Radiodifusão e Televisão (Fitert).
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