Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Pesquisa ajuda governo em medidas contra discriminação racial

Quinta, 14 de Abril de 2005 às 07:01, por: CdB

O Ministério Público usará pesquisa sobre discriminação racial, constatada em investigação nos cinco maiores bancos privados do Distrito Federal, para o combate do preconceito no mercado de trabalho brasileiro. Divulgada na segunda, a pesquisa revelou que negros e mulheres são minoria e sofrem muita discriminação.

Os dados fornecidos pelas instituições financeiras foram comparados com informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Ministério do Trabalho. Em um dos bancos, a relação apresentada que as mulheres ocupam apenas 44,7% dos postos de trabalho. Quanto ao salário médio das mulheres, equivale a 75% do que ganham os homens. Além disso, eles ocupam 61% dos cargos de chefia. Já na relação entre negros e brancos, apenas 10% dos empregados são negros.

Segundo o vice-procurador geral do Ministério do Trabalho, Otávio Brito Lopes, após o estudo será feito um levantamento para descobrir que empresas apresentam maior desigualdade e fazer com que assinem um termo de compromisso para diminuir essas diferenças. Quem não concordar, pode ser alvo de ações judiciais e de multas.

Otávio Brito Lopes disse que para a questão não existem cotas, exceto a portadores de necessidades especiais, mas há um princípio constitucional contra a discriminação. Ele destacou que essa é uma questão cultural e é preciso que os empresários pensem sobre ela.
- É uma questão cultural, mas o que a gente observa muito é que o fato de ser cultural é utilizado muitas vezes como desculpa para não se fazer nada. Porque quando a gente vai falar sobre o problema, todo mundo mais ou menos se defende, usa a questão cultural como escudo - ressaltou.

O vice-procurador disse ainda que para reverter o quadro, é preciso que o empresariado coloque em sua pauta a questão da discriminação:
- Eles devem começar a olhar para dentro de seu empreendimento e ver se ele reflete a população do local onde a empresa se situa.

Para 2005, o programa deve ser estendido a outros segmentos da economia em todo o país. De acordo com o Ministério Público do Trabalho, o projeto começou pelo setor bancário porque é o que apresenta maiores problemas. As notificações começaram por Brasília e se estenderão a instituições nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pernambuco, Bahia e Rio Grande do Sul.

Tags:
Edições digital e impressa