O chanceler do Peru, Manuel Rodríguez Cuadros, reiterou, na última quinta-feira, o 'respeito' de seu Governo à decisão adotada pela Bolívia sobre o destino do gás de suas jazidas de Tarija e manifestou que está 'disposto a colaborar' com a possibilidade de exportação desse fluido.
- Esta é uma decisão de exclusiva concorrência, jurisdição e soberania do governo da Bolívia. Desde o princípio, assinalamos que o gás é um recurso da população boliviana, são suas próprias autoridades as que devem decidir sobre ele - assinalou ao comentar o referendo boliviano do próximo dia 18 de julho.
O Peru propôs à Bolívia o uso do porto sulino de Ilo para a construção da fábrica de onde poderia ser realizada a eventual exportação do gás para o México e os Estados Unidos.
O chanceler peruano assinalou, além disso, que seu país 'nunca vetou uma saída para o mar à Bolívia', que considera um assunto bilateral entre esse país e o Chile.
Ele enfatizou, além disso, que o Peru 'terá uma posição construtiva e positiva' se houver um acordo para que o Chile ceda à Bolívia uma faixa costeira em territórios que foram peruanos até a Guerra do Pacífico do fim do século XIX.
No entanto, Rodríguez Cuadros advertiu que isso deverá ser feito 'em respeito' ao Direito Internacional e conforme as disposições do Tratado de 1929 e seu Protocolo Complementar, assinando entre o Peru e o Chile.
O presidente da Bolívia, Carlos Mesa, anunciou ontem, quarta-feira, as cinco perguntas do referendo, que se referem à derrogação da Lei de Hidrocarbonetos, à recuperação da propriedade dos energéticos 'em boca de poço', ao fortalecimento da estatal petroleira, ao uso do gás para negociar um acesso ao Pacífico e à decisão de exportá-lo.
Peru respeita decisão soberana da Bolívia sobre gás
Quinta, 20 de Maio de 2004 às 22:56, por: CdB