Rio de Janeiro, 14 de Maio de 2026

Peru assina contrato para construir polêmica estrada até Brasil

Apesar das duras críticas sobre seu custo, o presidente do Peru, Alejandro Toledo, assinou na quinta-feira um contrato de US$ 810 milhões para a construção de uma estrada que unirá os territórios peruano e brasileiro. Políticos da oposição e analistas criticaram o contrato assinado com as empresas brasileiras Norberto Odebrecht e Andrade Gutierrez. (Leia Mais)

Quinta, 04 de Agosto de 2005 às 20:53, por: CdB

Apesar das duras críticas sobre seu custo, o presidente do Peru, Alejandro Toledo, assinou na quinta-feira um contrato de US$ 810 milhões para a construção de uma estrada que unirá os territórios peruano e brasileiro. Políticos da oposição e analistas criticaram o contrato assinado com as empresas brasileiras Norberto Odebrecht e Andrade Gutierrez, acusando-o de superfaturado e que o acordo não havia sido avaliado por inteiro ainda.

O chamado Eixo Viário Interoceânico Sul unirá três portos peruanos ao Brasil, com o objetivo de aumentar o comércio bilateral e o comércio com a Ásia. O projeto deve estar concluído dentro de dois anos. As empresas brasileiras ganharam uma concessão de 25 anos para explorar três trechos de 1,2 mil quilômetros. A estrada terá um total de 2.603 quilômetros, dos quais 1.514 já estão asfaltados.

- Essa obra é um exemplo vivo da almejada integração física sul-americana e descentralização - afirmou Toledo depois de assinar o contrato, no Palácio do Governo, em Lima.

A estrada unirá o povoado fronteiriço de Assis, no Estado do Acre, com os portos peruanos de Ilo, Matarani e Marcona, no oceano Pacífico. Prevê-se que a obra permitirá um aumento de 1,5 ponto percentual do Produto Interno Bruto (PIB) do Peru. O projeto viário abarcará 32% do Peru e beneficiará 20% dos 28 millhões de peruanos em dez regiões, afirmou Toledo.

O líder peruano anunciou que no final de agosto vai dar início às obras ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva "abrindo caminho com machado e picareta" na selva peruana.

Toledo e Lula disseram em dezembro que uma parte da obra seria financiada pelo Banco do Brasil e outra, pela Corporação Andina de Fomento (CAF), o braço financeiro dos países andinos.

- O que está em discussão não é a importância da obra, mas a forma como ela está sendo feita. Há indícios de superfaturamento e há questionamentos técnicos - disse o economista Alejandro Indacochea.

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