Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

Perspectivas sobre PIB voltam a declinar nas apostas dos analistas

Segunda, 15 de Setembro de 2014 às 11:07, por: CdB
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O PIB reúne todos os bens produzidos no país
Economistas de instituições financeiras voltaram a reduzir a perspectiva de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil neste ano, de acordo com pesquisa Focus do Banco Central divulgada nesta segunda-feira. Para 2015, a projeção caiu a 1,04%, sobre 1,10% na pesquisa anterior. Segundo os analistas, a economia brasileira deve crescer 0,33% neste ano, de acordo com estimativa de instituições financeiras consultadas todas as semanas pelo Banco Central (BC). Na semana passada, a projeção estava em 0,48%. A redução na estimativa para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no país, vem ocorrendo há 16 semanas consecutivas. Para 2015, a projeção caiu de 1,1% para 1,04%. Para a produção industrial, a estimativa é de queda de 1,98%, neste ano, com recuperação em 2015. Para o próximo ano, a projeção de expansão é 1,5%. A projeção de instituições financeiras para a inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), foi mantida em 6,29%, tanto em 2014 quanto no próximo ano. A estimativa está acima do centro da meta (4,5%) e abaixo do limite superior (6,5%). O BC tem a função de fazer com que a inflação fique dentro da meta e um dos instrumentos usados para influenciar a atividade econômica e, consequentemente, a inflação, é a taxa básica de juros, a Selic. Essa taxa é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas de juros da economia. A projeção das instituições financeiras para a Selic, ao final deste ano, foi mantida no atual patamar de 11% ao ano. Para o final de 2015, a projeção passou de 11,63% para 11,5% ao ano. A pesquisa semanal do BC também traz a mediana das expectativas para a inflação medida Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), que foi alterada de 3,80% para 3,77%, este ano, e mantida em 5,52%, em 2015. Para o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), a estimativa passou de 3,81% para 3,67%, este ano, e de 5,58% para 5,50%, em 2015. A estimativa da inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe) foi ajustada de 5,50% para 5,49%, este ano, e segue em 5,25%, em 2015. A projeção para a cotação do dólar foi ajustada de R$ 2,33 para R$ 2,30, ao final deste ano, e de R$ 2,49 para R$ 2,45, em 2015. Declínio mundial Não apenas no Brasil, mas em todos os países pesquisados pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) foi reduzida a expectativa de crescimento do Brasil neste e no próximo ano, também piorando as contas para as principais economias desenvolvidas nesta segunda-feira. Agora, a OCDE vê que a economia brasileira crescerá 0,3%, ante 1,8% que enxergava em maio. Para 2015, a expectativa é de expansão de 1,4%, contra 2,2% anteriormente. "O Brasil caiu em recessão no primeiro semestre. O investimento tem sido particularmente fraco, minado pelas incertezas sobre a direção da política após as eleições e a necessidade de que a política monetária controle a inflação acima da meta", informou a OCDE no relatório. "Uma recuperação moderada pode ser esperada conforme esses fatores se desenrolam, mas a projeção é que o crescimento permaneça abaixo do potencial em 2015", acrescentou. O Brasil entrou em recessão no primeiro semestre com forte retração nos investimentos e na indústria e a Copa do Mundo prejudicando a atividade econômica. A OCDE também pediu estímulo muito mais agressivo do Banco Central Europeu (BCE) para conter o risco de deflação na zona do euro, ampliando a crescente pressão sobre a autoridade monetária para impulsionar o crescimento antes da reunião de ministros das Finanças e membros de bancos centrais do G20 nesta semana na Austrália. A organização estimou expansão na zona do euro de apenas 0,8% neste ano, subindo para 1,1% em 2015. Isso marca forte redução em relação ao seu Cenário Econômico de maio para a região, quando projetou crescimento de 1,2% em 2014 e de 1,7% em 2015. Em comparação, a OCDE vê a economia dos Estados Unidos crescendo 2,1% neste ano e acelerando para 3,1% em 2015. Em maio, a OCDE projetou expansão nos EUA de 2,6% em 2014 e 3,5% em 2015. OS EUA devem pressionar os países europeus na reunião do G20 para acelerar medidas para aumentar a demanda e o crescimento econômico frente ao risco de deflação, de acordo com uma autoridade do Tesouro norte-americano na sexta-feira. Risco de deflação A OCDE informou que embora a inflação da zona do euro – que atingiu a mínima de cinco anos em agosto, de 0,4% – deve fortalecer conforme a demanda se recupera, níveis baixos perto de zero levantam o risco de deflação. "Dado o cenário de baixo crescimento e o risco de que a demanda pode ser mais afetada, ou mesmo se tornar negativa, a OCDE recomenda mais suporte monetário para a zona do euro", disse a organização em comunicado que acompanha suas projeções. "Ações recentes do BCE são bem-vindas, mas mais medidas, incluindo quantitative easing, são justificadas", completou. Recentemente o BCE anunciou uma série de medidas num esforço para encorajar o empréstimo a empresas que precisam de crédito, mas até agora evitou o "quantitative easing" adotado pelos EUA e Japão, que consiste de enorme compra de títulos governamentais e de outros tipos para reduzir o custo de empréstimo.
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