A Pernod Ricard e sua parceira Fortune Brands vão adquirir a concorrente britânica Allied Domecq por 14,2 bilhões de dólares, ampliando a adega da Pernod e reduzindo a distância que a separa da Diageo, líder no mercado de bebidas.
O consórcio franco-americano confirmou que vai pagar 6,70 libras (12,81 dólares) por cada ação da empresa que produz o whisky Ballantine's, a tequila Sauza e o gim Beefeater. Os compradores vão assumir o controle de uma das últimas jóias no mundo dos destilados, mas também receberão uma pesada dívida.
A Pernod e a Fortune aceitaram dividir as marcas da Allied entre si para não violar as leis antitruste. A Pernod ficará com as marcas Ballantine's, Beefeater e com o licor Kahlua. A Fortune leva as marcas Sauza, conhaque Couvoisier e bourbon Maker's Mark.
O acordo - 5,45 libras e 0,0158 da nova ação da Pernod por cada ação da Allied - vai dobrar o lucro operacional da Pernod e reforçar sua presença nos Estados Unidos, onde ficará atrás apenas da Diageo, que produz a vodka Smirnoff e o whisky Johnnie Walker.
As ações da Pernod e da Allied tiveram alta depois da divulgação dos detalhes. As da Pernod subiram 6,8 por cento e terminaram cotadas a 124,80 euros, depois de chegarem a 125,80 euros, enquanto as da Allied subiram 3,4 por cento, cotadas a 6,65 libras.
Essa movimentação indica que a Allied foi vendida por um preço baixo demais, o último dos erros em uma história repleta de acidentes. Mas o grupo tinha pressa em fechar o acordo para evitar uma queda das suas ações, que vêm subindo rapidamente desde que surgiram os rumores da transação, segundo analistas.
- O acordo foi proposto pela Pernod, então é bom para os acionistas da Pernod e supostamente bom para a Allied - disse o presidente da Pernod Ricard, Patrick Ricard, em entrevista coletiva.
Os detalhes da transação, apontada por Ricard como "um verdadeiro salto de estratégia em termos de marcas e presença global", foram revelados à Reuters na quarta-feira, depois da confirmação de que a Allied foi procurada pela Pernod-Fortune há 16 dias.
MERCADO DOS EUA
- O acordo parece bom para a Pernod. Aproxima-a da Diageo e a faz superar sua fraqueza nos EUA - disse o analista David Liston, da Barclays Private Clients.
A Pernod disse que o acordo vai gerar uma economia anual, antes dos impostos, de 300 milhões de euros, o que é maior do que o esperado. Mas provocará um número ainda desconhecido de demissões e levará a reestruturação de custos da ordem de 450 milhões de euros.
A empresa também previu um crescimento superior a 10 por cento no lucro por ação no terceiro ano após a sinergia e um aumento de vendas de 3,5 bilhões de euros para 5,8 bilhões de euros em um ano.
A Pernod disse que, com a fusão, passará a vender 77 milhões de caixas de destilados por ano. A Diageo vende 91 milhões. Já a Fortune passará a ocupar o terceiro lugar no ranking, atrás da Bacardi - ambas com cerca de 31 milhões de caixas.
A Fortune, que faz o bourbon Jim Beam, deve pagar 2,8 bilhões de libras para ficar com o whisky Canadian Club e vai pegar a marca Larios da Pernod, além de assumir as marcas Courvoisier, Sauza e Maker's Mark.
Analistas dizem que a divisão das marcas não foi tão favorável para a Pernod quanto se imaginava inicialmente, pois a Fortune ficará com produtos importantes nos EUA, como Sauza e Maker's Mark. A Pernod não terá, portanto, nenhuma marca líder nos segmentos de tequila e de bourbon.
Como parte do acordo, a Pernod assume também as redes de fast-food Dunkin' Donut, Baskin-Robbins e Togo's, que eram da Allied. A empresa deve tentar vender as redes, avaliadas por analistas em 1 bilhão de libras.
A Pernod disse que vai emprestar cerca de 9 bilhões de euros de cinco bancos para financiar o acordo, que envolve a emissão de 17,5 milhões de novas ações da empresa, e vai reduzir a participação familiar de 12,6 por cento para pouco mais d