Para chikungunya foram 15.332 notificações, das quais 340 estão confirmadas e 423, descartadas. O número já ultrapassa o total de todo o ano passado
Por Redação, com ABr - de Recife/Brasília:Sobe para nove o total de mortes de pessoas infectadas por chikungunya confirmadas em Pernambuco só no início deste ano. A última divulgação da Secretaria Estadual de Saúde, feita na semana passada, indicava dois óbitos ligados à doença.
As mortes foram registrados em datas anteriores, mas o resultado dos exames saiu somente agora. Recife registrou cinco óbitos, e os municípios de Jaboatão dos Guararapes, Igarassu, Vitória de Santo Antão e Timbaúba contabilizaram uma morte uma cada. Quatro foram de pessoas com mais de 60 anos; três tinham entre 40 e 59 anos; uma era adolescente e a outra era uma criança de 1 a 4 anos.
As informações são da Secretaria Estadual de Saúde, que divulgou mais um boletim semanal de arboviroses, as três doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti: dengue, chikungunya e zika. No total, são 153 óbitos suspeitos decorrentes de arboviroses. Em relação a 2015, quando foram registrados 15 mortes suspeitas, o aumento é superior a 1000%. Os resultados, no entanto, não indicam que as mortes foram ocasionadas pelas doenças, mas apenas que os vírus foram encontrados em amostras biológicas dos pacientes.
O boletim também traz os números dos casos registrados das três arboviroses. Para chikungunya foram 15.332 notificações, das quais 340 estão confirmadas e 423, descartadas. O número já ultrapassa o total de todo o ano passado, quando foram comunicados 2.605 suspeitas, 450 confirmações e 589 alarmes falsos. Para dengue, são 50.030 casos suspeitos, com 7.232 confirmações e 5.755 descartes desse total, e 7.900 registros para zika vírus, dos quais 16 confirmados e 124 descartados.
Diferença
As três viroses que mais assustam o Brasil no momento, dengue, zika e chikungunya, são doenças infecciosas agudas transmitidas pelo mesmo vetor, o mosquito Aedes aegypti. As semelhanças não param por aí: todas elas podem provocar febre, dor e manchas pelo corpo. “A diferença é sutil e o diagnóstico precisa ser clínico e epidemiológico, levando em conta a situação de infecções naquela localidade”, explicou a infectologista e epidemiologista Helena Brígida.
Em entrevista à Agência Brasil, a integrante do Comitê de Arboviroses da Sociedade Brasileira de Infectologia destacou que, no caso da dengue, o sintoma de maior destaque é a febre, sempre alta e de início súbito. Já a característica mais marcante na infecção por chikungunya são as dores nas articulações, bem mais intensas que nas outras duas doenças. Por fim, o zika tem como principal manifestação manchas pelo corpo bastante avermelhadas e que coçam muito, além de joelhos e tornozelos inchados.
– A gente tem que perguntar ao paciente se coça muito, se ele teve febre, se a febre passa quando ele toma remédio, se há dor nas juntas, se o pé está inchado. Não dá pra dizer logo de cara o que é. O médico tem que ouvir todo o conjunto de sintomas para definir a melhor conduta – destacou. A especialista contou ainda que, em seis horas de plantão em um único dia, se deparou com quatro casos de zika em seu consultório. A colega que atendia na sala ao lado, segundo ela, registrou outros quatro casos da mesma doença.
A infectologista também ressaltou que o tratamento para as três doenças é sintomático, ou seja, estabelecido com base nos sintomas apresentados pelo paciente e não muda diante de um resultado laboratorial positivo ou negativo. A confirmação por teste, segundo ela, é importante sobretudo entre gestantes, diante da possível associação de microcefalia com o vírus zika, e entre pacientes com quadro de complicações neurológicas também possivelmente associadas à infecção.