O vice-primeiro-ministro israelense e líder trabalhista, Shimon Peres, afirmou neste domingo que a parte oriental de Jerusalém não pode ser anexada, já que ali residem 240 mil palestinos.
"Está errado aquele que acha que Israel pode anexar os 240 mil árabes residentes em Jerusalém e preservar ao mesmo tempo seu caráter como capital do povo judeu", afirmou Peres em um debate público por causa do "Dia de Jerusalém", que lembra a reunificação da cidade após a Guerra dos Seis Dias, de 1967.
No debate, Peres acrescentou que "o Estado de Israel não poderá sobreviver sem Jerusalém, a Galiléia e o Neguev".
Peres se referia ao fato de que as autoridades israelenses devem se esforçar para que estas regiões continuem tendo uma ampla maioria judia, no caso de Jerusalém através da concessão da parte oriental - e de seus 240 mil habitantes - à ANP.
Milhares de israelenses festejam a partir desta tarde e durante 24 horas a reunificação de Jerusalém há 38 anos, quando Israel conquistou a parte leste da Jordânia durante a Guerra dos Seis Dias.
Desde então, a maioria dos israelenses vê Jerusalém como sua capital "indivisível e eterna", apesar de dados estatísticos e a distribuição demográfica falarem de duas cidades de fato.
Em Jerusalém residem 400 mil israelenses judeus e mais de 200 mil palestinos, estes últimos concentrados na parte oriental, que pedem para que seja a capital de seu futuro Estado.
Peres explicou no debate que Jerusalém também não "pode ser dividida em duas partes através de fronteiras e cercas, porque isso também não contribuirá para absolutamente nada".
Com a justificativa da luta antiterrorista, Israel ergueu nos dois últimos anos um muro de concreto de oito metros de altura que dividiu povoados e aldeias palestinas inteiras que dependem da parte oriental da cidade.