A Marcha das Vadias, realizada neste sábado à tarde, em Copacabana, transcorria sem nenhum incidente grave
A Marcha das Vadias, protesto pelo fim da violência contra a mulher, reuniu uma multidão na tarde deste sábado, em Copacabana. A manifestação, transmitida ao vivo pela internet, na página do Mídia Ninja, no Twitter, mostrou o protesto que percorreu as ruas do bairro, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Além dos temas que levaram os ativistas a realizar a passeata, como o direito ao aborto e contra as agressões às mulheres, temas políticos também ganharam o apoio dos manifestantes.
"E aí PM! Cadê o Amarildo?!" gritaram, em coro, numa cobrança à Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro acerca do destino do trabalhador que desapareceu após chegar à Unidade de Polícia de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha. Outro grito que as "vadias" entoavam perguntava pelo morador desaparecido desde a semana passada: "Ô Papa levanta o seu vestido, quem sabe aí embaixo está o Amarildo?".
Bate-boca
A concentração começou às 13h, no posto 5 da praia, onde peregrinos estão acampados para participar da vigília com o papa Francisco e um início de confronto foi debelado pelos próprios manifestantes quando um peregrino cuspiu no rosto de uma mulher que integrava a Marcha das Vadias. Em resposta à agressão, as mulheres intensificaram o protesto e rebolaram, mostraram os seios e abaixaram as calcinhas.
Um outro tumulto se formou quando um grupo de aproximadamente 50 peregrinos da França, do Chile e da Itália sentiram-se ofendidos com a Marcha das Vadias e iniciam um bate-boca com as integrantes do ato, mas sem nenhuma agressão física, de parte a parte. O protesto também é por um "verdadeiro Estado laico". Rogéria Peixinho, ativista da Associação de Mulheres Brasileiras (AMB), disse a jornalistas que a visita do pontífice a capital fluminense tem como "contraponto a livre manifestação de outra juventude", na rua, "protestando contra a opressão e o controle da vida e da sexualidade das mulheres".
– A presença do papa e os recursos públicos alocados para a visita de um líder espiritual colocam em xeque a laicidade do Estado. Esse tema está dentro dos eixos da marcha, assim como o direito ao corpo, as denúncias sobre os casos de estupro que estão aumentando principalmente no Rio, e a formulação de políticas públicas de proteção às mulheres", disse ela.
Além da luta pelo fim da violência sexual e de gênero, a laicidade do Estado, e a descriminalização e legalização do aborto, o manifesto também visa a regulamentação da prostituição e contra o Estatuto do Nascituro, também conhecido como bolsa-estupro.
A primeira Marcha das Vadias foi organizada em 2011 por estudantes da Universidade de Toronto após declaração de um policial, em palestra na cidade canadense, de que o fato de as mulheres se vestirem como "vadias", com saias curtas e decotes ousados, poderia estimular o estupro. Em 2012 o movimento ganhou caráter nacional no país, ocorrendo simultaneamente em mais de 20 cidades brasileiras e também no exterior.
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