Dono de uma precisão acurada na tradução do pensamento político do principal líder de uma das maiores correntes do PMDB, o ex-governador Anthony Garotinho, e secretário Chefe do Gabinete da governadora Rosinha Matheus, o engenheiro Fernando Peregrino torce, sinceramente, para que a administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva navegue em águas menos turbulentas até o final do mandato, em 2006. Mas não esconde o descrédito com a economia do Brasil e a preocupação quanto aos rumos políticos do PT. Com o mesmo fio da prosa afiada com que retalha, um a um, os tendões de sustentação teórica da equipe econômica federal, em entrevista ao Correio do Brasil Peregrino rasga o discurso progressista da situação: "Não há governo mais liberal do este do presidente Lula".
- O desemprego, como o senhor tem afirmado, é uma das principais dificuldades do país. Para superar a crise econômica seria necessário antes uma guinada política?
- Do ponto de vista econômico, demonstra-se hoje um grande erro do governo instalado em 2003, que é a aposta da governabilidade com base na aderência aos princípios do Consenso de Washington. Ainda que o acordo com o Fundo Monetário Internacional não esteja mais em vigor, as regras principais do FMI têm sido mantidas à duras penas e são cada vez mais reafirmadas pelo governo. Poderia-se dizer que esse é um remédio amargo, mas necessário. Ninguém, no entanto, está dizendo isso, e sim que esta é a política do governo para acalmar os investidores internacionais. Isso é um grande erro. Os grandes investidores, principalmente aqueles que investem na flutuação do câmbio, na taxa de juros, esses caras vão para fora do país na primeira crise e nos deixarão pendurados na escada. O modelo econômico, infelizmente, entrou nessa rota, não deu nenhuma guinada e já estamos no terço final do governo, com prazo muito curto para se fazer uma reviravolta, como poderia ser a aplicação de parte do superávit da balança comercial em infraestrutura, geração de empregos. Desmentir essa política hoje é praticamente impossível.
- Se na área econômica o senhor tem restrições, no campo político...
- Politicamente, esse governo deu mostras, desde o primeiro dia, que é inábil e incapaz. Nós sofremos isso na carne. Tanto a governadora quanto o ex-governador Garotinho apoiaram Lula. O Rio era um Estado preterido por sucessivos governos federais, que precisava de apoio, de compensações por ter deixado de ser a capital federal, houve a fusão, mas isso passou desapercebido durante 20 anos. Ao elegermos um presidente com o apoio de líderes locais, como Garotinho, Rosinha e tantos outros, no dia seguinte, em uma demonstração imensa de inabilidade, eles retiram os recursos do Tesouro do Estado para o pagamento de uma dívida que a ex-governadora Benedita da Silva havia deixado de saldar desde setembro de 2002. Com o sequestro desse dinheiro eles quase levam o Rio a uma crise de governabilidade nos primeiros meses. Faltou dinheiro para honrar os salários. Hoje isso é passado. A governadora Rosinha já pagou tudo, hoje os salários estão em dia, mas não podemos esquecer que houve um golpe no dia 1º de janeiro.
- O desgaste no diálogo com o governo federal foi muito grande?
- Não poderia ser diferente. Quem quer tomar medidas fortes faz isso logo nos primeiros dias de governo. Não é possível que o PT não saiba disso. É preciso entrar dizendo a que veio. Depois vem a dificuldade o desgaste natural do exercício do poder. Eles, no entanto, fizeram tudo ao contrário. Bateram justamente nos aliados e cooptaram aqueles que estavam dos governos anteriores, esses aí do PTB que aparecem nas manchetes de jornal, a "tropa de choque" do governo Collor, não podemos nos esquecer. Isso foi muita incompetência política. A coisa é tão crônica que me assusta. Por isso torço para que o Lula não saia do governo, para que não haja a desestabilização e ele chegue ao final do manda
Peregrino: 'Diversidade ajuda o Rio a enfrentar crise no país'
Dono de uma precisão acurada na tradução do pensamento político do principal líder de uma das maiores correntes do PMDB, o ex-governador Anthony Garotinho, e secretário Chefe do Gabinete da governadora Rosinha Matheus, o engenheiro Fernando Peregrino torce, sinceramente, para que a administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva navegue em águas menos turbulentas até o final do mandato, em 2006. Mas não esconde o descrédito com a economia do Brasil e a preocupação quanto aos rumos políticos do PT. (Leia Mais)
Quinta, 02 de Junho de 2005 às 22:41, por: CdB