Rio de Janeiro, 09 de Outubro de 2026

Bovespa despenca e perdas acumuladas em 2011 são maiores do que nas bolsas internacionais

Para o terror dos investidores, as surpresas pontuaram o último pregão desta semana e a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em tímida alta após uma variação de mais de 2,7 mil pontos ao longo do pregão. O Ibovespa, índice de referência do mercado, cresceu 0,26%, aos 52.949 pontos, uma breve recuperação frente à queda de 5,7% na quinta-feira de pânico nos mercados.

Sexta, 05 de Agosto de 2011 às 16:03, por: CdB

Para o terror dos investidores, as surpresas pontuaram o último pregão desta semana e a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em tímida alta após uma variação de mais de 2,7 mil pontos ao longo do pregão. O Ibovespa, índice de referência do mercado, cresceu 0,26%, aos 52.949 pontos, uma breve recuperação frente à queda de 5,7% na quinta-feira de pânico nos mercados. O giro financeiro desta sexta-feira atingiu R$ 8,831 bilhões. O saldo de quatro dias consecutivos de queda e uma tímida recuperação do Ibovespa foi um tombo de 9,99% do índice na semana, o maior desde a semana terminada em 21 de novembro de 2008. A queda acumulada da Bovespa ao longo de 2011 é bem maior do que a média dos mais importantes mercados financeiros globais e se aproxima do resultado observado na bolsa de valores da Grécia, país que vive uma aguda crise econômica, segundo avaliações feitas pela consultoria Tendências. De janeiro até esta sexta-feira, a Tendências calculou em 23,6% a queda da bolsa brasileira. Após cair 5,72% na quinta-feira, seu menor nível desde novembro de 2008, a Bovespa reverteu a tendência e fechou o pregão em alta de 0,26% nesta sexta-feira, como 52.949 pontos.

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No acumulado no ano, "é um nível próximo ao da Grécia (de -24,9%) e bem mais acentuado do que vemos nos mercados de EUA e Europa", disse à agência britânica de notícias BBC Raphael Martello, economista da consultoria. Para efeitos comparativos, o índice Dow Jones, dos EUA, acumulava perdas de 1,15% a menos de uma hora do seu fechamento; ao fim do pregão, a bolsa de Londres tinha perdas acumuladas de 11% e a de Hong Kong, 9%. Já a de Milão, na Itália, teve perdas maiores desde o início do ano: 20,6%. Martello avalia que a queda mais acentuada da Bovespa se deve a uma combinação de fatores. À aversão ao risco decorrente da conjuntura internacional soma-se o peso das commodities na bolsa brasileira – o que faz com que ela seja muito impactada por essa mesma conjuntura externa. Acomodação e aperto monetário Além disso, ele diz que, depois de resultados positivos obtidos em 2010, o mercado brasileiro iniciou este ano já preparado para uma acomodação e para o aperto monetário promovido pelo governo para conter a inflação. Sendo assim, enquanto a bolsa brasileira já sofria quedas no primeiro semestre, as americanas e europeias ainda colhiam altas. "De lá para cá, o cenário ficou mais difícil, mas (as bolsas estrangeiras) estavam com um patamar mais elevado (no primeiro semestre)" e por isso acumulam uma queda menor no ano, explica o economista. Esse panorama deve se manter no curto prazo, pelo fato de o mercado estar se adaptando à perspectiva de um cenário de baixo crescimento da economia dos EUA. A queda da Bovespa também superou, segundo a Tendências, a registrada por outros países da América Latina, como Chile (-17,5% no ano), Peru (-13,75%) e Argentina (-13%).

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