O chefe de inteligência do Pentágono instruiu os militares norte-americanos a compartilharem mais informações sigilosas com aliados e parceiros estrangeiros, inclusive com aqueles que ajudam a combater a insurgência no Iraque, disseram autoridades na sexta-feira.
Stephen Cambone, subsecretário de Defesa para assuntos de inteligência, disse em memorando que o Pentágono exagera na quantidade de vezes que qualifica determinadas informações sob o rótulo "Noforn", sigla que significa "não divulgável a cidadãos estrangeiros".
"O uso incorreto do alerta 'Noforn' em informações do Departamento de Defesa impediu o compartilhamento de informações sigilosas da defesa nacional com aliados e parceiros", disse ele no documento de duas páginas, datado de 17 de maio.
Cambone orientou os responsáveis pela inteligência militar a limitarem o uso da designação oficial e a preferirem sempre classificar as informações como sendo transmissíveis "na máxima extensão possível".
A mudança foi provocada por uma nova estratégia de defesa, adotada neste ano, que enfatiza a maior colaboração com aliados dos EUA na "guerra ao terrorismo", segundo um porta-voz do Departamento de Defesa.
"Não houve um fato isolado que provocasse esse memorando. Ele não foi específico para um país", disse o porta-voz, tenente coronel Chris Conway.
Uma fonte européia de segurança disse que o compartilhamento de informações com os EUA a respeito de terrorismo é bom desde os atentados de 11 de setembro de 2001, mas que o mesmo não acontece quando há questões militares envolvidas.
"Na área do terrorismo, trabalhamos todos muito estreitamente. Há menos problemas aqui. Mas no que diz respeito a questões militares, é duro", disse a fonte, cujo país não mantém tropas no Iraque.
O memorando de Cambone, divulgado inicialmente por um boletim eletrônico da Federação de Cientistas Americanos, permite que comandantes nas frentes de combate incluam com mais facilidade oficiais de ligação estrangeiros em sessões de estratégia e em outras reuniões.
Entre as pessoas que receberam o memorando estão o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, o secretário de cada força militar e os diretores de órgãos como a Agência de Inteligência da Defesa.