O Pentágono parou de financiar Ahmed Chalabi, o exilado iraquiano que chefia o CNI (Congresso Nacional Iraquiano). O nome de Chalabi chegou a ser cotado pelos Estados Unidos para liderar o Iraque no pós-guerra, mas as informações de inteligência que ele fornecia tiveram sua credibilidade questionada em Washington.
O Pentágono vinha dando ao CNI cerca de 340 mil dólares por mês. Uma autoridade da Defesa dos EUA, que falou sob a condição de anonimato, disse que o último pagamento foi feito em maio e que não haverá outros.
Segundo a fonte, não havia nenhuma decisão definitiva sobre a continuidade ou não do relacionamento dos EUA com o CNI. O vice-secretário da Defesa, Paul Wolfowitz, afirmou que o corte do financiamento "foi uma decisão tomada à luz do processo de transferência de soberania para o povo iraquiano."
"Achamos que não era mais adequado continuar financiando daquele modo. Informações de inteligência muito valiosas foram reunidas por aquele processo, mas tentaremos obtê-las no futuro através de canais normais de inteligência," disse Wolfowitz em uma audiência do Senado.
As autoridades norte-americanas vinham dizendo havia semanas que o governo estava discutindo o fim do financiamento ao CNI.
Chalabi, que também é membro do Conselho de Governo iraquiano, tem criticado publicamente os EUA e vem pressionando para que a transferência de soberania, marcada para o fim de junho, inclua o controle sobre as forças de segurança.
Exilado há mais de quatro décadas, Chalabi foi condenado à revelia em 1992 por fraude bancária pela Justiça Militar da Jordânia, onde fundou um banco que faliu. Ele afirma que as acusações tinham motivação política.
O Pentágono sempre deu cobertura a ele, e o levou ao Iraque junto com um grupo de seguidores no fim do ano passado, dando-lhe a chance de estabelecer uma base política. Mas dentro do próprio governo dos EUA havia muitas ressalvas a Chalabi, principalmente por parte da CIA (agência de inteligência), que questionava as informações que ele fornecia e desconfiava que houvesse agentes de Saddam Hussein infiltrados em seu grupo.
O Departamento de Estado também era contra o financiamento de Chalabi pelo Pentágono. Antes da guerra, o CNI forneceu informações que, segundo os críticos, tinham o objetivo de influenciar os EUA a agir contra Bagdá. Entre essas informações estaria a existência de laboratórios de armas biológicas.
Não foram encontrados estoques de armas não-convencionais no Iraque. Os EUA e a Grã-Bretanha usaram sua suposta existência para justificar o ataque ao Iraque, mesmo sem o aval da ONU.
Uma outra fonte da Defesa dos EUA disse que o CNI "forneceu informações verdadeiras, especialmente em relação a questões de proteção e à localização de pessoas (fugitivos iraquianos)."