Rio de Janeiro, 23 de Setembro de 2026

Pelos pobres do mundo, no mundo dos pobres

Segunda, 04 de Julho de 2011 às 11:13, por: CdB

AFamília Vicentina do Brasil esteve reunida em Goiânia (GO), de 22 a 26 de junhode 2011, para o seu XII Encontro Nacional. Éramos 71 participantes,provenientes das cinco regiões de nosso país, representando os mais de 260.000membros das 10 congregações, movimentos e associações a que pertencemos.

Família Vicentina, pelos pobres do mundo,no mundo dos pobres. Essetema evidencia o sentido e o alcance de nossa identidade vicentina. Somos umagrande família espiritual e missionária, que encontra em São Vicente de Paulosua fonte de inspiração na vivência dos valores cristãos, particularmente dacaridade compassiva e operosa para com os pobres, atuando no sentido deintegrar evangelização e promoção humana. Pelos pobres do mundo, empenhamosnossas vidas, habilidades e recursos, movidos por nossa irrevogável opção pelosexcluídos, opção que se desdobra da vocação que recebemos de Deus. No mundo dospobres, reconhecemos o espaço próprio de nossa atuação e o lugar a partir doqual analisamos a realidade em que estamos inseridos. Neste evento, fomosiluminados pela narrativa do encontro de Jesus com o cego Bartimeu (cf. Mc 10,46-52).

Lançamosum olhar sobre a realidade, analisando a conjuntura sócio-eclesial, a partirdos pobres. Como Jesus, ainda que em meio a uma grande multidão, precisamos manter os olhos abertos para a situaçãodaqueles que estão sentados à beira docaminho, a fim de conhecer seus dramas, identificar suas carências e infundir-lhesesperança. Precisamos também de ouvidos atentos aos gritos insistentes daquelesque estão mendigando, implorando compaixão e solidariedade, acomodadossob o manto da dependência, imobilizados pelo desprezo, calados pelasinjustiças, sufocados, enfim, pela marginalização a que são submetidos. Ao consideraros problemas que afetam a sociedade contemporânea, não podemos nos contentar comum olhar superficial, dispersivo e generalizante, nem com uma escuta distraída,ocasional e apressada. Se, por força do carisma, centramos nosso coração nospobres, nossa atenção e nossa solicitude deverão se dirigir também a eles.Nossa preocupação consistiu, portanto, em identificar, com lucidez, esperança evigor, os impactos da cultura, da política e da economia sobre a trajetória dospobres. A lei do mercado domina a sociedade, a globalização neoliberal acirra oestridente contraste entre ricos insensíveis e pobres necessitados de tudo, ofundamentalismo religioso mina as bases do diálogo e da cooperação em favor deum ethos mundial. Por outro lado,vemos florescer iniciativas promissoras em vista da construção de um outro mundo possível, como, por exemplo,os Fóruns Sociais, realizados nos mais diversos níveis, arregimentandoorganismos comprometidos com a transformação da realidade. No interior de nossaIgreja, assistimos o enfraquecimento da densidade profética da opção pelospobres, nem sempre assumida como exigência intrínseca de nossa fé cristológica.Renovamos o nosso compromisso com a construção de uma Igreja-Povo de Deus,sacramento do Reino e servidora da humanidade, onde os leigos e leigas tenhamsua cidadania assegurada e estimulada.

Em seguida, voltamos às fontes do Evangelho e daexperiência de São Vicente para haurir luzes e inspirações para nossa caminhadajunto aos pobres. Antesde tomar qualquer iniciativa, Jesus sempre demonstrava grande respeito peladignidade e pela autonomia das pessoas que tinha diante de si. A FamíliaVicentina tem sido chamada, com maior insistência nos últimos anos, a ouvir ospobres e a promover o seu protagonismo na caridade(promoção humana e social) e na missão(evangelização e pastoral) para encontrar caminhos novos na tarefa de transformar as estruturas que os mantémencobertos pelo manto da indigência, sentados à beira do caminho, com o seu grito sufocado. Renovamos o nossocompromisso de aproximação em relação ao mundo dos pobres, deixando-nos evangelizar por eles e criando laços deamizade e cooperação com aqueles aos quais servimos. Para isso, haveremos depromover a integração entre os nossos Ramos, unindo nossas forças equalificando nossa presença e atuação.

À luzdas reflexões tecidas neste Encontro, pudemos apontar algumas pistas de açãopara os nossos Ramos e para toda a Família Vicentina do Brasil. A pedagogia deJesus é a da liberdade do amor, que convoca ao seguimento, restitui a dignidade,compromete a pessoa, soergue do desprezo e fortalece para o caminho. SãoVicente, por sua vez, convida-nos a enternecer os nossos corações e a torná-lossensíveis aos clamores dos pobres. Por isso, renovamos nossa adesão ao discipuladode Cristo, evangelizador e servidor dos pobres, e comprometemo-nos a descobrirformas criativas e audaciosas de intervenção nas mais diferentes realidades, afim de demonstrar, na itinerância da caridade e da missão, a relevância e abeleza do carisma que nos foi comunicado.

A Família Vicentina do Brasil


-Associação Internacional de Caridades - AIC
-Companhia das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo - FC
-Juventude Marial Vicentina - JMV
-Congregação da Missão - CM
-Associação da Medalha Milagrosa - AMM
-Congregação dos Religiosos de São Vicente de Paulo - RSVP
-Sociedade São Vicente de Paulo - SSVP
-Irmãs de São Vicente de Paulo de Gysegen "Servas dos Pobres” - ISVPG
-Missionários (as) Leigos (as) Vicentinos(as) -MISEVI
-Congregação dos Fráteres de Nossa Senhora, Mãe da Misericórdia

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Edições digital e impressa