Pelé fez as pazes com a diretoria do Santos e retornou nesta segunda-feira à Vila Belmiro, depois de quase quatro anos afastado do clube de seu coração. Ele participou da inauguração do Memorial das Conquistas Milton Teixeira, que resgata a história do time que foi bicampeão mundial interclubes e conquistou os principais títulos do futebol.
Como sempre, sua chegada foi muito festejada e ele ficou emocionado ao visitar pela primeira vez o museu, que dedica um espaço especial para mostrar o maior ídolo santista de todos os tempos.
Para esse espaço exclusivo, Pelé selecionou algumas das peças que contam sua história e as doou ao Memorial. Ele está expondo seu acervo no Kuwait e anunciou que o material exposto poderá ser trocado futuramente.
Interessado nesse museu, ele fez uma visita recentemente à Vila Belmiro, sem anunciar. Chegou de surpresa, viu as obras ainda em andamento, gostou e resolveu colaborar.
- Fiz a doação sem dor no coração porque fiz com muita satisfação - disse ele, explicando que seu museu está sendo montado no Kuwait e parte das peças já estavam lá.
- Selecionei as que achei mais próximas, como a faixa de campeão, a chuteira que me deu o segundo título, e trouxemos aqui - contou.
Na última segunda-feira, Pelé explicou que nada tinha de pessoal contra o presidente Marcelo Teixeira, mas que discordava de sua política de construir um time milionário com jogadores veteranos.
- Não estava de acordo quanto a essa orientação e essa era minha divergência e minha tristeza era ver o clube gastando muito dinheiro com atletas em fim de carreira e não estava dando resultado enquanto tinha uma seleção de jogadores novos que não eram experimentados - disse.
Segundo Pelé, tudo mudou quando os jovens atletas foram lançados, 'até por obrigação', e o Santos voltou a obter bons resultados.
- Era essa a divergência - falou.
Um repórter perguntou a ele se o trabalho de bastidores havia ajudado o time a conseguir o título de campeão brasileiro do ano passado e a resposta foi negativa.
- O título se deve ao trabalho do Leão e dos jogadores e esse trabalho de bastidores que aparentemente consegue ajudar, não ajuda se o time não estiver bem - disse.
E numa noite dedicada ao passado e às conquistas do Santos, Pelé não podia deixar de falar do time de sua época.
- O Santos teve as conquistas que teve porque era o melhor time e isso ninguém desmentia; quando apresentou o futebol que está apresentando, foi campeão - falou.
Um dos segredos daquela equipe, na opinião de Pelé, foi o longo tempo em que os atletas jogaram juntos. Por isso, acha que o Santos deve manter a atual equipe por mais tempo.
- O Santos era um time jovem, eu mesmo comecei com 17 anos, mas conseguiu manter a equipe por muito tempo e ela ficou quase imbatível - contou.
Segundo o Rei, 'se o clube conseguir manter essa equipe, chega lá'.
Cerca de 50 ex-jogadores compareceram à Vila Belmiro, entre eles Gilmar, Dorval, Coutinho, Clodoaldo e Orlando Peçanha. Do time atual, além do técnico Emerson Leão estavam Fábio Costa, Paulo Almeida e Robinho.
Pelé faz as pazes com a diretoria do Santos
Segunda, 17 de Novembro de 2003 às 22:19, por: CdB