Rio de Janeiro, 31 de Março de 2026

Pela quarta vez, Chávez faz negócios com a China

O presidente venezuelano Hugo Chávez começou nesta quarta-feira sua visita à China enfatizando o desejo de vender mais petróleo ao gigante asiático, além de afirmar que a revolução comunista chinesa foi mais importante que a chegada do homem à Lua. (Leia Mais)

Quarta, 23 de Agosto de 2006 às 07:45, por: CdB

O presidente venezuelano Hugo Chávez começou nesta quarta-feira sua visita à China enfatizando o desejo de vender mais petróleo ao gigante asiático, além de afirmar que a revolução comunista chinesa foi mais importante que a chegada do homem à Lua.

- Foi manipulação, nos foi dito que a chegada do homem à Lua era o maior acontecimento do século XX, mas não, aconteceram coisas mais importantes - afirmou, em sua chegada ao aeroporto de Pequim.

Entre essas coisas mais importantes, segundo ele, figura a revolução chinesa.

- Fico maravilhado ao ver que este imenso país, com mais de 20% da população mundial, tenha saído de uma era praticamente feudal em menos de meio século - disse.

A admiração declarada não o impediu de investir no grande objetivo da quarta visita à China desde que chegou ao poder, em 1999: o aumento das vendas do petróleo venezuelano à quarta economia mundial.

- Vamos assinar uma série de contratos, marcando um novo passo à frente no setor da cooperação energética. Acho que esta será a visita mais benéfica de todas as realizadas no passado - enfatizou.

A reunião de quinta-feira de Chávez com o colega chinês, Hu Jintao, deve resultar na assinatura de um acordo de aumento de exportações petrolíferas, segundo o jornal The China Daily.

Durante os seis dias de estada no segundo consumidor de energia do planeta, o presidente venezuelano também espera obter que as empresas chinesas aumentem sua participação nas jazidas da região de Orinoco, uma das reservas petrolíferas mais ricas do planeta.

Também tem a intenção de assinar um contrato para a construção de 18 navios petroleiros, que servirão para transportar o petróleo para o país asiático e 12 plataformas de perfuração em solo venezuelano.

Fora os objetivos econômicos, Chávez faz questão de expressar sua afinidade ideológica manifestando sua grande admiração pelo que classifica de "exemplo para o Ocidente".

- A China é um exemplo para os dirigentes e governos ocidentais que tentam fazer crer que a única alternativa é o capitalismo, que o único caminho é o neoliberalismo - afirmou.

- Temos muito o que aprender política, moral e socialmente com a China - disse.

- A China demonstrou ao mundo que não precisa ser um império para ser grande -acrescentou, em referência a suas habituais críticas aos Estados Unidos, que sempre chama de império.

No entanto, apesar da retórica antiamericana, a Venezuela exporta a grande maioria de seu petróleo para o mercado norte-americano. A China representa assim um tentador mercado alternativo, já que Pequim também busca novos fornecedores de energia para reduzir sua dependência das importações da problemática região do Oriente Médio.

A Venezuela ofereceu à China exportar entre 500 mil e um milhão de barris diários se conseguir atingir seu objetivo de produzir 5,8 milhões de barris diários até 2012.

No entanto, os analistas chineses duvidam que seu país possa chegar a ser no futuro o destino da metade das vendas de petróleo do quinto exportador mundial.

"Falta muito para a China ter a capacidade de refino necessária para processar todo o petróleo venezuelano", declarou Jiang Shixue, especialista em América Latina da Academia Chinesa de Ciências Sociais, citado pelo The China Daily.

Chávez também se encontrará com o primeiro-ministro Wen Jiabao e com o líder parlamentar Wu Bangguo na sexta-feira, antes de visitar a província oriental de Shandong.

Também visitará as instalações onde atualmente se constrói o primeiro satélite de comunicações da Venezuela, que seu país planeja colocar em órbita em 2008.

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