O técnico brasileiro Jorvan Vieira deixou o comando da seleção do Iraque depois de conquistar a Copa da Ásia, no ano passado, alegando que só um louco aceitaria o cargo. Dois treinadores e 13 meses depois, ele está de volta.
- Talvez eu seja mesmo louco, sei lá - admitiu Vieira à Reuters, por telefone, de Bagdá.
O treinador disse, porém, que agora recebeu tudo o que pediu para realizar seu trabalho e quem sabe repetir o "milagre" de levar uma seleção tão esfarrapada até um título regional.
- Acredito que a situação desta vez é diferente - afirmou.
Em maio de 2007, Vieira, de 55 anos, recebeu um time totalmente desordenado, em que havia treinamentos negligentes, falta de material, poucos jogadores disponíveis e terríveis disputas religiosas entre os atletas.
Vieira virou celebridade no Iraque com a conquista da Copa da Ásia, mas rejeitou uma lucrativa prorrogação do contrato, pois achava que iria parar num hospício.
- Desta vez eles estão fazendo tudo certo - disse o treinador, depois de uma reunião com o ministro dos Esportes.
- Eles me prometeram que não terei mais dores de cabeça. Impus minhas condições, meu orçamento. Vou decidir como o time será comandando. Se não, vou embora - ameaçou.
Mas a verdade é que pouca coisa mudou desde o título asiático dos "Leões da Mesopotâmia". Em agosto, a seleção quase foi suspensa das competições devido à interferência política no esporte, e um gol no final na última partida eliminatória, contra o Qatar, sepultou a esperança de que o time voltasse a disputar uma Copa do Mundo após 24 anos de ausência.
- É uma vergonha, foi uma enorme frustração para o povo iraquiano - disse Vieira, que assistiu ao jogo no estádio Al Ahli, em Dubai, onde o Iraque provisoriamente manda seus jogos.
- Eles sempre me pediram para voltar, todo mundo, as crianças, a torcida, até as pessoas na rua. Por isso eu voltei. Quando se sente essa emoção, só há uma coisa a fazer - afirmou.
Embora não vá disputar a Copa da África do Sul em 2010, Vieira espera fazer bonito na Copa do Golfo Pérsico e na Copa das Confederações em 2009, que reúne os campeões continentais.
Apesar de trabalhar em Dubai, Vieira espera treinar a equipe e recrutar novos atletas em Bagdá e outras partes do turbulento país.
- Este trabalho será empolgante. Estarei reunido com os jogadores e com milhares de outros jovens que querem jogar por seu país agora. Eles precisam de um líder, e acredito que essa pessoa seja eu - disse.