O Conselho de Ética da Câmara tem mais uma semana para encerrar três processos de parlamentares envolvidos no esquema do valerioduto. O deputado Nelson Trad (PMDB-MS) adiou para a próxima semana a leitura do seu parecer no caso contra o deputado Roberto Brant (PFL-MG), que estava prevista para esta quinta-feira. Brant sofre um processo junto ao Conselho por figurar na lista de saques da SMP&B. Ele teria recebido R$ 102 mil, pagos a Nestor Francisco de Oliveira, coordenador político da campanha do parlamentar tucano à Prefeitura de Belo Horizonte, em 2004. O assessor confirmou o saque como doação de campanha, no caixa dois da Usiminas.
O deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) anunciou também que já encerrou o processo de instrução probatória e já está pronto para apresentar seu parecer e voto no processo contra o deputado Wanderval Santos (PL-SP), do qual é relator. O relatório de Alencar será lido no Conselho na próxima terça-feira, às 14h. Segundo Alencar, das três testemunhas arroladas pelo relator no caso contra Wanderval, somente o ex-deputado Carlos Rodrigues (RJ) se recusou a comparecer. Apesar de não ter ouvido a testemunha, Alencar acredita que não houve prejuízo ao processo de Wanderval.
Contra Wanderval, que é um dos representantes da Igreja Universal do Rio de Deus no Congresso, pesa o fato de que dados do Banco Rural apontam um assessor do deputado como beneficiário de um saque de R$ 150 mil. O deputado argumenta que mandou o motorista no Banco Rural a pedido do ex-deputado Carlos Rodrigues. Além de Chico Alencar, o deputado Pedro Canedo (PP-GO) também anunciou hoje o encerramento do processo contra o deputado Professor Luizinho (PT-SP), do qual é relator. Apesar de já ter concluído o processo, Canedo pediu para que não seja fixada ainda a data da leitura do seu parecer.
Canedo explicou que todas as testemunhas arroladas foram ouvidas. Assim como Wanderval Santos, o deputado Professor Luizinho foi apontado pelas CPIs dos Correios e do Mensalão como um dos parlamentares envolvidos no chamado esquema do "mensalão". Contra o deputado petista, que já foi líder do governo na Câmara, pesa o fato de que um de seus assessores aparece como beneficiário de R$ 20 mil sacados da agência do Banco Rural em São Paulo. Em sua defesa, ele alegou que o dinheiro foi usado para o caixa dois de campanha de vereadores de São Paulo.
Nos Correios
Presidente da CPI dos Correios, o senador Delcidio Amaral (PT-MS) disse nesta quinta-feira que o ministro do Turismo, Walfrido dos Mares Guia, procurou a comissão para esclarecer que a pasta não mantém contrato de publicidade com as agências do empresário Marcos Valério de Souza. A CPI recebeu a visita de dirigentes da Associação Brasileira das Entidades de Previdência Privada (Abrapp). Eles ofereceram colaboração com os trabalhos da CPI.
O senador petista disse ainda que o presidente da Caixa Econômica Federal (CEF), Jorge Mattoso, e a diretoria do banco estiveram nesta quinta-feira com a comissão para apresentar justificativa sobre o relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) que detectou irregularidades na compra da carteira de crédito do BMG. O encontro ocorreu no gabinete de Delcidio e acompanhado pela senadora Ideli Salvatti (PT-SC). Segundo ela, a Caixa não foi ouvida pelo TCU. O teor da conversa, porém, não foi divulgado pelos senadores.