O líder do PT, senador Aloizio Mercadante (PT), continua no cargo. Ele voltou atrás da decisão de deixar o posto após uma conversa "de cinco horas" com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou. Na tribuna do Senado, Mercadante comunicou, em tom às vezes emocionado, que resolver permanecer na liderança do partido, mesmo depois de divergências entre os senadores petistas do Conselho de Ética que, cumprindo determinação do partido, votaram a favor do arquivamento das denúncias contra José Sarney (PMDB-AP). Em sua página no Twitter, Mercadante chegou a dizer, na véspera, que sua saída seria em caráter “irrevogável”.
O senador se disse descontente com a orientação do presidente da legenda, Ricardo Berzoini, para que a bancada votasse a favor do arquivamento das representações contra o presidente do Senado, José Sarney, no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar. Mercadante se disse frustrado como líder da bancada do PT, "que lutou para construir um caminho alternativo a esta crise, sem pré-julgamento, que não é o caminho da democracia, mas sugerindo o afastamento do senador José Sarney e a investigação rigorosa sobre todas as irregularidades relativas ao Senado".
– Precisamos compreender essa crise e buscar respostas – disse ele. Mercadante expressou no discurso seu sentimento de descrença política dizendo ser esse o sentimento "da maioria do povo brasileiro", referindo-se à decisão do Conselho de Ética de não aprofundar as representações contra o presidente da Casa, José Sarney.
Depois de ler uma carta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pedindo para que continuasse no cargo, o senador disse que “não tinha como dizer não” ao pedido. “Dificuldades e divergtências fazem parte da caminhada, fazem parte da história. Em nome dessa caminhada, fique na liderança. Esse é um pedido sincero e verdadeiro do companheiro Luiz Inácio Lula da Silva”, disse Lula na carta.
– Não tenho como dizer não a um pedido do meu companheiro – afirmou Mercadante depois de lembrar a história e os tempos de criação do partido.
O senador falou em frustração e desilusão e descrença política ao lembrar o episódio no Conselho de Ética. Disse que sempre foi favorável à investigação dos atos secretos porque contrariam o princípio constitucional da igualdade e da transparência, mas defendeu uma investigação respeitando o direito de defesa.
– Nunca aceitei o caminho fácil da condenação sem defesa, do pré-julgamento do tribunal de exceção, ainda que seja mais fácil do ponto de vista eleitoral – disse.
Mercadante disse que depois da reunião do Conselho de Ética, se reuniu com a bancada e ouviu dos senadores que não saísse da liderança. Afirmou que recebeu ligações do presidente do partido, Ricardo Berzoini, de José Dirceu “com quem não falava há muito tempo”, dos senadores do partido e também dos de oposição, como o presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE), e o líder tucano, Arthur Virgílio (AM).