Rio de Janeiro, 24 de Abril de 2026

PDT se transforma em fiel da balança na CPI dos Bingos

O Partido Democrático Brasileiro, do passado líder socialista Leonel Brizola, volta à cena política na disputa do último reduto da oposição nas CPIs em andamento. Enquanto o governo busca seduzir o senador Augusto Botelho (PDT-RR), a oposição arma um novo jogo para retomar a maioria dos votos na CPI dos Bingos e compensar os dois votos aliados ao governo. (Leia Mais)

Quarta, 01 de Fevereiro de 2006 às 10:15, por: CdB

O Partido Democrático Brasileiro, do passado líder socialista Leonel Brizola, volta à cena política na disputa do último reduto oposicionista nas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI) em andamento no Congresso. Enquanto o governo busca seduzir o senador Augusto Botelho (PDT-RR) com o atendimento de suas reivindicações políticas, a oposição arma um novo jogo para retomar a maioria dos votos na CPI dos Bingos e compensar os dois votos aliados ao governo.

Oficialmente, o PDT está na oposição. Nas votações anteriores da CPI, sua a orientação foi a mesma do PFL e PSDB. Mas as conversas do senador Botelho com a bancada governista fizeram os ventos mudar. Uma série de reuniões entre os senadores oposicionistas que integram a CPI dos Bingos aconteceram nesta quarta-feira com o líder do PDT na Casa, Osmar Dias (PR). Todos eles pediram a substituição de Botelho por outro senador, desta vez, mais obediente às estratégias pefelistas e tucanas..
- Não adianta só conversar com o Botelho. O jeito agora é mudar mesmo (o senador) - disse um dos integrantes da CPI que milita na oposição..

A partir dessa disputa, estão rolando os dados. O resultado será visível no escore de cada votação prevista para os próximos dias. Desde a quebra de sigilo do presidente do Sebrae, Paulo Okamotto, até o relatório que poderá, ou não, incluir o nome do ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Enquanto os oposicionistas trabalham para anular a vantagem do governo, os senadores da base aliada se esmeram nas conversas com as várias forças políticas que dominam a cena política no Congresso. A maior vantagem dos adversários do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no entanto, é a presença do senador Efraim Morais (PFL-PB) na presidência da CPI.

- O Efraim ficou muito aborrecido com a decisão do STF de barrar a quebra de sigilo do amigo do presidente Lula - disse o senador.

Além de manter o sigilo bancário e telefônico de Okamotto, e evitar que o nome do ministro Palocci vá parar no relatório da CPI, ao lado de assessores suspeitos de cometer fraudes, está a decisão de evitar que o presidente da Caixa, Jorge Mattoso, integre a lista de indiciáveis e seja acusado de crime contra o sistema financeiro, prevaricação, descumprimento da lei de licitações e improbidade administrativa, conforme aponta o senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN).

Após perceber que o governo está em vantagem, a oposição obstruiu a análise das emendas ao relatório nesta terça-feira e, com isso, a votação do texto principal. Ficou por conta do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) sugerir a votação das emendas em data ainda a ser definida pelo presidente da comissão.

Tags:
Edições digital e impressa