Defendendo uma eleição presidencial plebiscitária, a cúpula do PDT anunciou nesta quinta-feira à ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) o apoio à sua futura candidatura à Presidência da República.
A Executiva Nacional do PDT tomou essa decisão na semana passada, definição que ainda terá de passar pelo Diretório Nacional da legenda em março e pela convenção da sigla em junho. É a primeira Executiva Nacional de um partido da base aliada ao governo a tomar essa resolução.
Para o presidente licenciado do PDT e ministro do Trabalho, Carlos Lupi, a chance de a decisão não ser homologada "é praticamente nula".
– Temos que fazer dessa eleição um plebiscito. Temos que saber quem é contra e quem é a favor da continuidade do governo Lula –, disse Lupi a jornalistas antes de participar de almoço com a ministra.
– A nossa candidata é a Dilma.
Lupi destacou que a decisão da direção do partido já é "praticamente uma formalização" da aliança em âmbito nacional.
Pré-candidata do PT ao Palácio do Planalto, Dilma também estava presente na entrevista coletiva. Ela disse estar feliz por ter o PDT ao seu lado, já que já fez parte dos quadros do partido. Quando ouviu de Lupi que seu eventual governo deveria representar a continuidade da administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva mas com melhoras, a ministra logo pontuou: "Continuidade, para nós, é avançar".
O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, comemorou o movimento do partido aliado.
– Essa decisão do PDT é fundamental não só do ponto de vista partidário pelos prefeitos que o PDT tem, os deputados e governadores, mas também pela presença do PDT no movimento sindical e social –, destacou o coordenador político do governo após o encontro.
O PDT, entretanto, também fez demandas. Uma delas é dar início às negociações para uma pacificação dos dois partidos nos Estados. PT e PDT têm pendências em Estados como Maranhão, Paraná, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.
Começamos a discutir os palanques estaduais e na semana que vem vamos ter uma sequência", explicou Lupi. "Onde teremos dificuldades, por exemplo no Maranhão, teremos dois palanques."
O líder do PDT na Câmara, deputado Dagoberto (MS), disse à Reuters que o partido também quer ter um representante na coordenação da campanha de Dilma. Segundo o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), o pleito deve ser atendido.
– Todos os partidos que apoiarem a Dilma vão integrar a coordenação de campanha. O PDT já vai ser chamado para conversar com a gente sobre programa de governo e coordenação de campanha –, afirmou Berzoini.
De acordo com o presidente em exercício do PDT, deputado Vieira da Cunha (RS), a sigla quer incluir no programa de governo da ministra itens como o ensino em turno integral, o avanço dos direitos trabalhistas e a redução da jornada de trabalho.
Segundo participantes da reunião, não foi tratada a participação do PDT num eventual governo presidido por Dilma.
– Não adianta a gente pedir nada para ela, até porque depois não dá para ela cumprir. Nós acreditamos que dependerá da nossa força eleitoral. Se tivermos uma eleição de uma boa bancada, logicamente que nós vamos poder exigir alguma coisa. Se nós não tivermos, não adianta querer exigir –, justificou o líder da sigla na Câmara.
Dilma contou também aos jornalistas como foi o encontro entre o presidente Lula e o presidente do PSB, o governador do Pernambuco, Eduardo Campos, na véspera.
Na reunião, da qual Dilma também participou, o tema também foi a disposição do governo de transformar a eleição presidencial num plebiscito. O deputado Ciro Gomes insiste em disputar a Presidência pelo PSB. Mas Lula tenta convencê-lo de concorrer ao governo de São Paulo a fim de abrir caminho para a candidatura de Dilma.
– As discussões foram no sentido de que se acompanhasse o desenvolvimento da situação e voltar-se-ia a conversar em março, como estava já previsto –, contou a ministra.
Perguntada se foi conversado objetivamente sobre o destino político de Ciro Gomes, Dilma disse que as conversas foram mais teóricas.
– A oposição é mais una quanto mais candidatos ela tem. Os governos geralmente são mais unos e demonstram mais unidade quanto mais unificam suas candidaturas –, exemplificou.