Rio de Janeiro, 23 de Setembro de 2026

PD japonês governará sob olhar de investidores

O próximo primeiro-ministro japonês começou a formar um governo na segunda-feira, sob o olhar atento de investidores que temem um excesso de gastos públicos ou um estremecimento nas relações de Tóquio com os Estados Unidos.(Leia Mais)

Segunda, 31 de Agosto de 2009 às 09:01, por: CdB

O próximo primeiro-ministro japonês começou a formar um governo na segunda-feira, sob o olhar atento de investidores que temem um excesso de gastos públicos ou um estremecimento nas relações de Tóquio com os Estados Unidos.

A vitória de domingo do Partido Democrático rompe meio século quase ininterrupto de domínio político do Partido Liberal Democrático. Seu líder, Yukio Hatoyama, foi eleito premiê com a promessa de estimular gastos dos consumidores, reduzir o desperdício orçamentário e diminuir o poder dos burocratas.

– Demorou, mas finalmente chegamos à linha de largada – disse Hatoyama numa entrevista coletiva em sua casa no dia seguinte à esmagadora vitória eleitoral.

– Isso de forma alguma significa (chegar ao) destino. Finalmente conseguimos mexer na política, criar um novo tipo de política que irá cumprir as expectativas do povo – completou.

O iene alcançou a maior cotação em sete semanas, refletindo o fim da incerteza eleitoral. As bolsas locais chegaram a atingir durante o pregão o maior índice em 11 meses, mas fecharam em ligeira baixa, já que a valorização do iene afeta o desempenho dos exportadores.

Hatoyama deve nomear uma equipe de transição, mas só pretende anunciar seu novo gabinete depois de ser formalmente eleito primeiro-ministro, numa sessão especial do Parlamento, provavelmente dentro de duas semanas.

Mas a vitória do Partido Democrata não gerou nenhuma euforia na chuvosa Tóquio. Analistas dizem que o resultado se deveu mais a uma frustração com o PLD do que a um entusiasmo com o PD, fundado há cerca de dez anos.

– Não é que os democratas fossem bons. Votei neles como punição ao PLD. O PLD tem de mudar – disse Etsuji Inuzuka, 47 anos, que trabalha no setor moveleiro.

O PD e seus aliados já controlavam o Senado desde 2007, o que lhes permitia adiar a aprovação de projetos do governo. Investidores ouvidos pela Reuters receberam com alívio o fim desse impasse político, mas temem que o novo governo não consiga manter a disciplina fiscal, já que prometeu benefícios para famílias com filhos pequenos e a abolição dos pedágios em rodovias, por exemplo.

– Questões fiscais, junto com a diplomacia e a segurança, serão uma questão importante – disse Junko Nishioka, economista-chefe da RBS Securities.

As estimativas da imprensa mostram que os democratas conquistaram cerca de 308 cadeiras na Câmara, em um total de 480, quase triplicando sua bancada. O PLD passou de 300 para 119 deputados.

– O problema é o quanto os democratas poderão realmente cumprir nos seus primeiros cem dias – disse Koichi Haji, economista-chefe do Instituto de Pesquisas NLI.

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