Rio de Janeiro, 02 de Novembro de 2026

Paulo Rocha diz que não sabia que recursos vinham de Valério

Terça, 18 de Dezembro de 2007 às 19:14, por: CdB

Um dos 40 réus do caso que ficou conhecido como mensalão, o deputado federal Paulo Rocha (PT-PA) garante que não tinha conhecimento de que o dinheiro usado para pagar dívidas de campanha do diretório estadual do partido viesse do empresário Marcos Valério de Souza.

— Não tinha conhecimento de absolutamente nada. Não sabia de onde vinham os recursos. Como presidente do partido no Pará, busquei o diretório nacional, indo ao local certo, a tesouraria, buscando ajuda para saldar essa dívida —, declarou Rocha ao depor na 10ª Vara Criminal da Justiça Federal, em Brasília.

O deputado é acusado de lavagem de dinheiro. Rocha disse ter procurado o então tesoureiro do partido Delúbio Soares a fim de obter R$ 620 mil. O dinheiro serviria para saldar dívidas com quatro empresas que teriam produzido e fornecido material de campanha. Segundo o deputado, na ocasião, Delúbio teria respondido que o partido não dispunha de recursos, mas que estava negociando empréstimos bancários e que iria repassar o valor solicitado tão logo fosse possível.

Rocha disse ter sido procurado por Marcos Valério pouco tempo depois. O deputado afirmou que já conhecia o empresário, desde a época em que o publicitário havia sido contratado para realizar a campanha do então candidato à presidência da Câmara, o deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP). Em um primeiro encontro, Valério disse que procurava o parlamentar por indicação de Delúbio.

Com base na relação prévia entre o empresário e o diretório nacional do PT, Rocha disse não ter estranhado que Valério intermediasse os repasses de dinheiro. O deputado alegou que acreditava que o dinheiro vinha do PT nacional, mas não soube explicar à juíza Maria de Fátima Costa porque a Executiva do partido não transferiu os recursos diretamente para as contas do diretório estadual.

O deputado voltou a explicar que todo o dinheiro repassado ao PT do Pará foi movimentado por sua secretária, Anita Leocádia, a quem ele próprio teria dito que os recursos vinham da Executiva do partido. Segundo Rocha, Leocádia recebia os valores e os depositava integralmente na conta das empresas credoras. Durante o depoimento, Rocha fez questão de apresentar os comprovantes de depósito que, segundo ele, demonstram que ele jamais ficou com qualquer quantia para uso pessoal.

— Nunca [recebi dinheiro]. Até porque, não tinha nenhuma dívida pessoal ou da minha [própria] campanha —, afirmou, explicando que além dos R$ 620 mil repassados ao PT-PA, Valério teria intermediado o repasse de outros R$ 300 mil para o PSB.

— Minhas relações no episódio foram exclusivamente como dirigente do PT estadual —, disse.

Desde novembro, os 40 acusados respondem como réus, após denúncia do procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza. Eles são são acusados de participar de esquema de compra de votos em troca de apoio político. Entre os réus estão os ex-ministros José Dirceu (Casa Civil) e Luiz Gushiken (Comunicação Institucional), o empresário Marcos Valério de Souza e o publicitário Duda Mendonça, além de deputados e ex-deputados.

A existência de um esquema que seria conhecido como mensalão foi denunciada pelo ex-deputado Roberto Jefferson em 2005. A denúncia contra os 40 acusados foi apresentada ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo procurador-geral em 2006, acatada pelo tribunal em agosto deste ano e convertida em ação penal em 12 de novembro.

Deputado discute com procurador e juíza durante interrogatório

Paulo Rocha (PT-PA) foi repreendido pela juíza Maria de Fátima Costa e pelo procurador do Ministério Público Federal João Alfredo de Paula Silva.

Mostrando nervosismo, Rocha se exaltou após discordar da interpretação do procurador quanto a sua resposta sobre se ele estranhava a intermediação do empresário Marcos Valério de Souza no repasse de recursos do PT nacional para o PT do Pará.

— O senhor não fique me apontando como se estivesse na Câmara d

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