De acordo com um semanário suíço, a advogada brasileira Paula Oliveira já teria confessado suas mentiras. Para se entalhar, ela teria usado uma espéce de canivete comprado na filial da loja sueca Ikea.
O que teria levado a jovem advogada brasileira a simular ter sofrido um aborto e uma agressão por skinheads? Isso a Justiça suíça quer apurar e, para evitar que existam dúvidas capazes de alimentar explorações, o Ministério público de Zurique decidiu abrir um inquérito penal contra Paula Oliveira, que, durante as investigações, será impedida de sair da Suíça.
O próprio pai da brasileira Paula Oliveira, também advogado, admite que se não existem os agressores “ela é vítima de um grave problema psíquico”, segundo o jornal Le Matin, de Lausanne. Sua filha também sofre de lupus, doença que impede a gravidez e que pode levar à depressão. Por enquanto, Paula não sabe das conclusões médicas sobre sua gravidez (inexistente) e sobre seus ferimentos. No caso, de uma condenação por simulação, é quase certo que Paula não será presa, mas sujeita a um tratamento psiquiátrico.
O próprio blog de Ricardo Noblat, de onde partiu o noticiário que iria inflamar, reconhece atualmente haver muita coisa mal contada na história da jovem de 26 anos, ao que tudo indica de família influente, patricinha como se diz na gíria.
Mentiras que se encadeiam e que puderam garantir à principal televisão brasileira, Globo, alguns dias de grande Ibope, com seus noticiários repetidos por toda imprensa brasileira, a ponto de envolver o próprio ministro das relações exteriores Celso Amorim e o próprio presidente Lula.
Hoje, num editorial severo, um dos principais jornais suíço Le Temps, comenta como o Brasil tomou as dores de um jovem branca e rica e acusou a Suíça de violência racista, quando a Anistia Internacional denuncia a violência diária feita contra mulheres pobres brasileiras pela própria polícia brasileira. Ou quando redes de tráfico exportam brasileiras, muitos delas enganadas, para a prostituição internacional.
Le Temps lamenta também que o chanceler brasileiro, depois de ter vivido tantos anos em Genebra, conhecendo a sociedade e o aparelho judiciário e policial suíços, possa ter proferido críticas tão severas à Suíça, sem ter primeiro consultado sua colega suíça e sem ter esperado os primeiros resultados do inquérito policial.
Muitos brasileiros continuam vendo mistérios na afabulação montada em Zurique, mesmo se não existe uma única informação verossímil no enredo digno de adolescente de imaginação fértil para não dizer mitômana ou doentia. Não há uma ginecologista que tenha diagnoticado sua gravidez: Seria uma médica portuguesa ainda sem papéis para clinicar. Mentira, porque com os acordos biletarais entre a Suíça e a União Européia, existe livre exercício profissional para portugueses.
O instrumento de ecografia portátil, usado por uma amiga médica que teria concluído estar grávida de gêmeos não existe. Apesar de todo avanço da medicina ainda é preciso um monitor vídeo para assinalar a presença do feto no ventre materno.
Os skinheads não são o público do Partido do Povo mas pertencem a facções neonazistas e não se pode imaginar um grupo de extremistas assinando seu ato de violência. Fora isso, as análises feitas pelos legistas suíços, que não comprometidos com a Polícia, consideram as lanhuras feitas no corpo da jovem como autoflagelação típica, e mesmo primárias, constantes das lições que recebem sobre esse tipo de comportamento doentio de certas pessoas.
Com apenas dois anos de residência na Suíça, Paula não possui uma autorização permanente de residência, que se obtém só depois de dez anos. O fato de a imprensa suíça noticiar Paula O. faz parte da proteção de pessoas, o nome completo só pode ser publicado em condenações definitivas na última instância.
Para que Paula possa se defender, durante o inquérito, a justiça suíça colocou à sua disposição um advogado grátis de ofício. Paralelamente, correrá também na Justiça a queixa depositada pela própria advogada Paula Oliveira que pedia uma indenização por agressão sofrida.