O ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, admitiu nesta terça-feira que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não conseguirá eliminar a pobreza no país até o final do mandato, em 2006. Dados do ministério indicam que 35 por cento da população estão nesta situação.
"Para nós erradicamos a pobreza no Brasil vai ser um trabalho um pouco mais longo. Nós fizemos um pacto de erradicar a fome e a desnutrição dentro da presidência de Lula", afirmou Patrus em café da manhã com jornalistas de veículos estrangeiros.
No discurso de posse, o presidente Lula colocou como prioridade máxima a erradicação da pobreza e da fome no Brasil.
O ministro Patrus cobrou das administrações estaduais e municipais maior comprometimento na implementação dos programas sociais.
"O sucesso dos programas pressupõe que as tarefas sejam longas, que haja um trabalho integrado entre os governos federal, estadual e municipal, sociedade, empresários", disse o ministro.
Segundo ele, o governo desconhece qual o destino final dos recursos repassados para Estados e municípios no programa de erradicação do trabalho infantil e acaba esbarrando em muita burocracia para alavancar os projetos.
As críticas do ministro repetem as já feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no ano passado, quando disse que a sociedade brasileira faz apenas 10 por cento do que poderia para ajudar o Fome Zero, principal programa social do governo.
A falta de coordenação entre os projetos de combate à pobreza foram alvo de críticas pelo ministro. Segundo ele, era errado o governo ver o Fome Zero como uma política específica não integrada a outros programas. Os demais projetos, segundo o ministro, também contribuem mesmo que indiretamente para o combate à fome.
Em outubro do ano passado, o governo Lula criou o Bolsa Família reunindo diversos programas de transferência de renda, como o vale gás, bolsa escola, bolsa alimentação e cartão alimentação.
"A nossa compreensão é que o Fome Zero está dentro de uma política estruturada que vai além e passa pelo Bolsa Família, pela erradicação do trabalho infantil. Ou seja, queremos agregar as políticas sociais", afirmou.
Patrus traçou a ambiciosa meta de atingir todas as pessoas elegíveis para o Bolsa Família até 2006. O programa atende hoje 3,9 milhões de famílias e o objetivo do governo é de levá-lo a 11,4 milhões.
O orçamento do ministério do Desenvolvimento Social para este ano é de 14 bilhões de reais, dos quais 400 milhões de reais são destinados aos programas de segurança alimentar, 5,6 bilhões de reais vão para o Bolsa Família e 8,3 bilhões de reais se destinam aos programas de assistência social.