Apenas 24 horas depois de viverem momentos de violência e tensão, os passageiros dos trens da Supervia enfrentaram, na manhã deste sábado, o mesmo problema que levou populares a apedrejar várias estações da linha férrea que liga o Centro do Rio aos subúrbios da Central do Brasil. Devido a um problema técnico, um trem parou entre as estações Ricardo de Albuquerque e Deodoro, no sentido Central, por volta das 7h30 e centenas de pessoas tiveram que descer e andar na linha férrea. Cinco pessoas passaram mal e foram encaminhadas para o Hospital Carlos Chagas.
Na estação Nilópolis, nesta sexta-feira, aconteceu o mesmo problema e, no fim da tarde, a Supervia interrompeu a partida de trens da estação Central em decorrência de uma pane em uma composição vazia. Aborrecidos, passageiros iniciaram um protesto e promoveram um quebra-quebra, que culminou no fechamento temporário da estação até o final da tarde. Mesmo após normalizados os serviços, o ambiente de tensão permanece no ar.
Cerca de 50 homens do 5º BPM (Praça Harmonia) foram chamados ao local e lançaram de bombas de gás lacrimogêneo contra a população. Houve também o uso de armas não-letais para dispersar o protesto.
Leitora protesta
Leitora do Correio do Brasil, Deborah Farah, moradora da Barra da Tijuca, protestou contra as declarações do governador do Estado do Rio, Sérgio Cabral, que chamou os manifestantes de "vagabundos".
– Como já fez anteriormente com os médicos, o governador Sergio Cabral voltou a apelar com agressividade verbal os sofridos usuários da nossa falida malha ferroviária, chamando de vagabundos os trabalhadores que já estão saturados de tantas panes e atrasos nos trens que os transportam diariamente para o trabalho. Governador, porque o senhor não admite que a culpa seja dos governantes que querem que o povo que depende dos trens para se locomoverem em nossa cidade se dane – disse Farah.
Ainda segundo a leitora, os passageiros dos trens da Central do Brasil são trabalhadores desrespeitados, e não um bando de desordeiros, como sugere Cabral.
– Que eu saiba vagabundos e desocupados não são encontrado nos trens, ou estou mentindo? Quem anda de trem é o pobre trabalhador, que neste governo é tratado como vagabundo. Nem bandido assalta trem, porque não compensa. Infelizmente, o povão que utiliza o trem como meio de transporte, só irão interessar ao governador nos meados de 2010, quando será dada a largada para a sua reele ição, passarão de vagabundos a trabalhadores sofridos que merecem um transporte melhor e ele certamente prometerá que se reeleito a malha ferroviária vai melhorar, e se permitirmos que isso aconteça, voltaremos a sermos chamados de vagabundos por um governador que até hoje não nos provou que trabalha – concluiu.