Na Alemanha, a formação de governos estaduais também é parlamentarista. Um partido que obter mais da metade dos assentos na Assembleia Legislativa conquista o posto de governador do Estado.
Por Redação, com DW – de Magdeburgo, Alemanha
A vitória acachapante do partido Alternativa para a Alemanha (AfD) na Saxônia-Anhalt dá início a um tenso jogo de quebra-cabeças para formar um governo no Estado do Leste alemão. Em jogo, está a possibilidade de a ultradireita chegar ao poder pela primeira vez desde a II Guerra Mundial, no que seria um marco político simbólico para o país.

Na Alemanha, a formação de governos estaduais também é parlamentarista. Um partido que obter mais da metade dos assentos na Assembleia Legislativa conquista o posto de governador do Estado. Como nenhum dos partidos obteve a maioria necessária na eleição deste domingo, eles terão que costurar alianças. As legendas podem se unir em coalizões para governar juntas em maioria ou, ainda, angariar apoio de outras para liderar um governo minoritário.
Coalizão
Com 43,8% dos votos depositados (39 dos 83 assentos parlamentares), a AfD já anunciou que vai se mover a partir desta semana para tentar obter uma coalizão majoritária. Até a noite da eleição, entretanto, a posição do partido era outra, negando que recorreria aos adversários.
— Faremos propostas de diálogo a todos os partidos. Aí veremos quem rejeita nossa mão estendida — disse na manhã desta segunda-feira o copresidente da legenda, Tino Chrupalla, à emissora pública alemã ARD.
Isso exigiria da AfD, na prática, ultrapassar o chamado “cordão sanitário”, um compromisso das outras forças políticas de não cooperar com a ultradireita e, assim, mantê-la longe do poder.
Apelo
Ao longo da campanha, todos os partidos descartaram uma coalizão com a AfD. A ampla vitória da ultradireita, ao mesmo tempo, torna o pacto frágil: a aliança com um só partido já lhe permitiria liderar um governo de coalizão. Ou seja, uma única mudança de posição partidária em favor da AfD seria o suficiente para virar o jogo.
A AfD nunca liderou um governo estadual, e, na Saxônia-Anhalt, o seu diretório é considerado uma “organização extremista de direita” por autoridades de inteligência europeias.
Nesta segunda-feira, Chrupalla apelou ao partido conservador União Democrata Cristã (CDU), que, ao que tudo indica, será o primeiro foco dos esforços da AfD.
— Acho que a CDU precisa fazer uma autoavaliação e refletir sobre quais consequências tirará deste resultado eleitoral desastroso — concluiu.