O Partido Trabalhista, da oposição de Israel, disse neste domingo que não tem condições prévias para aderir ao governo do primeiro-ministro Ariel Sharon, abrindo caminho para um novo governo mais amplo para levar adiante o seu plano de retirada de Gaza.
Sharon precisa dos Trabalhistas para reconstruir sua coalizão, evitar eleições antecipadas e vencer os rebeldes de direita opostos à saída de Gaza, sob o plano visto por países ocidentais como um possível passo em direção à paz com os palestinos depois da morte de Yasser Arafat.
Os Trabalhistas, de centro-esquerda, e o Likud, de direita, começaram as negociações sobre a coalizão no sábado. O líder trabalhista Shimon Peres, veterano negociador da paz e que apóia o plano de Sharon, disse que um acordo pode ser fechado em alguns dias.
Os trabalhistas deverão exigir até dez cargos no gabinete, mas o principal negociador do partido rejeitou condições prévias.
"Vamos ser claros: haverá um governo", disse Haim Ramon à Rádio do Exército no domingo. "A questão é se vamos estar neste governo com pastas significativas, ou se vamos entrar neste governo sem ministérios."
"É preciso lembrar que decidimos sobre este processo porque queremos, junto com o primeiro-ministro, tirar o povo de Israel de Gaza", disse.
Sharon perdeu maioria parlamentar ao demitir seu maior parceiro de coalizão, o partido secular Shinui, em 1o. de dezembro devido a discordâncias sobre financiamento de grupos religiosos. Aliados de extrema direita já haviam deixado o governo por causa do plano de Gaza.
Peres, 81, vencedor do Prêmio Nobel da Paz, e Sharon, 76, ex-general que já foi o patrono do movimento dos colonos, já fizeram antes uma aliança. Peres foi ministro do Exterior do governo liderado por Sharon de 2001 a 2002.
As diferenças dos partidos sobre o orçamento de 2005 e a entrada de dois partidos ortodoxos ainda podem adiar a formação da nova coalizão.
Sharon deverá manter os principais gabinetes para o Likud. Peres, segundo a mídia, pode receber o cargo de "ministro do desligamento", para comandar a saída de Gaza.
Pesquisas mostram que os israelenses apóiam a retirada de Gaza, mas radicais descrevem qualquer retirada como "recompensa para o terrorismo". Os palestinos querem formar um Estado em toda a Faixa de Gaza e Cisjordânia.