O partido israelense Likud, do primeiro-ministro Ariel Sharon, aceitou na quinta-feira uma possível aliança com a oposição trabalhista, uma decisão que evita uma eleição imediata e fortalece a proposta dele para desocupar a Faixa de Gaza.
Por 62 por cento dos votos, o Comitê Central do Likud autorizou Sharon a abrir negociações com o Partido Trabalhista, de centro-esquerda, para formar um governo de união nacional que substitua a sua combalida coalizão de direita.
Trata-se de um duro golpe para os radicais do partido, que se opõem à devolução da Faixa de Gaza ou de qualquer outro território conquistado na Guerra dos Seis Dias em 1967.
O Ocidente considera que a desocupação pode ser um passo na direção de um acordo de paz. Os palestinos temem se a operação seja apenas um pretexto para Israel reafirmar seu domínio na Cisjordânia.
Na última hora, os radicais do Likud tentaram barrar a votação do partido, sem sucesso. Em agosto, o Comitê Central havia tomado uma decisão contrária, rejeitando negociações com os trabalhistas e aconselhando a aliança com dois partidos religiosos.
Mas o risco de eleições quase dois anos antes do previsto parece ter convencido os membros do partido a mudarem de idéia, já que eles temem uma redução da bancada caso isso ocorra.
O governo de Sharon se tornou minoritário no Parlamento por causa da saída de partidos ultranacionalistas contrários à desocupação de Gaza. Na semana passada, o primeiro-ministro rompeu com o partido laico Shinui, que havia votado contra o orçamento de 2005.
Isso abriu uma crise que pode ser resolvida com a formação de uma coalizão estável com os trabalhistas. Sharon precisa da maioria para aprovar o orçamento, em março, e evitar a convocação automática de eleições.
Israel vem acenando com a possibilidade de retomar o processo de paz, após a morte do presidente palestino, Yasser Arafat. Mas, nesta semana, a violência voltou a aumentar em Gaza, após uma relativa trégua.
O chefe dos Comitês de Resistência Popular, Jamal Abu Samhadana, e dois outros militantes sobreviveram a um ataque israelense com mísseis, o primeiro desse tipo desde a morte de Arafat. Eles conseguiram saltar do carro em que estavam momentos antes da destruição.
"Tentativas de assassinato, mesmo bem-sucedidas, não vão enfraquecer a resistência, só vão fortalecê-la. Vamos continuar lutando até liberamos toda a terra palestina", disse Samhadana à TV Al Jazeera.