Rio de Janeiro, 08 de Novembro de 2026

Partido de Musharraf reconhece a derrota no Paquistão

Dados extra-oficiais indicam derrota de partidos que apóiam presidente Musharraf.

Terça, 19 de Fevereiro de 2008 às 06:45, por: CdB

O principal partido da base de apoio ao presidente paquistanês, Pervez Musharraf, reconheceu, nesta terça-feira, a derrota do governo nas eleições legislativas e provinciais de segunda-feira. Os dois principais partidos da oposição - o da ex-premier Benazir Bhutto, assassinada em um atentado suicida em 27 de dezembro, e o do ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif - lideram com ampla vantagem a apuração parcial da votação.

 

Apesar do clima de tensão e suspeitas de violência e fraude, os resultados extra-oficiais, divulgados nas primeiras horas da manhã desta terça-feira já indicavam que a oposição seria a grande vitoriosa nas eleições paquistanesas. Conquistando mais de 50% das cadeiras do Parlamento, o resultado impõem uma dura derrota ao presidente Pervez Musharraf que governará, a partir de agora, com um Parlamento hostil.

 

Um porta-voz do governista PML-Q, que apóia o presidente Pervez Musharraf, declarou que, se essa tendência se confirmar, o partido vai procurar desempenhar seu papel de oposição da melhor forma possível. O próprio Musharraf havia declarado que aceitaria os resultados das urnas, fossem eles quais fossem.

 

Com o quadro político definido desta maneira, com a presidência tendo que governar com uma oposição forte no Parlamento, analistas acreditam que serão necessárias alterações no governo e na constituição. Em editorial, o diário nacional Dawn pede que a nova administração assuma a tarefa de mudar a Constituição, para que ela volte a ter o espírito do documento original de 1973.

 

A principal mudança seria o fim do dispositivo que permite ao presidente dissolver o Parlamento e demitir o primeiro-ministro a qualquer momento. O jornal afirma esperar que Musharraf cumpra o compromisso firmado de atuar como uma figura paternal após as eleições.

 

O editorial do jornal The News afirma que pesquisas feitas pela mídia eletrônica indicam que o povo paquistanês está otimista de que essas eleições venham a trazer mudanças positivas.

 

Apesar da presença de cerca de meio milhão de agentes de segurança atuando para proteger as zonas eleitorais, estimativas apontam que menos eleitores votaram este ano do que nas eleições de 2002, quando o comparecimento eleitoral foi de 41%, o medo de atentados é apontado como principal causa da evasão. Por todo o país, cerca de 20 pessoas morreram em incidentes relacionados ao pleito desta segunda-feira. Apesar disso não houve grandes ataques a bombas e o nível de violência foi considerado baixo. Também não foram registrados incidentes relevantes de fraude eleitoral como alertava a oposição.

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