Partido de Marina Silva tende a desaparecer nas urnas municipais
O partido não consegue reproduzir o ‘efeito Marina’ das duas últimas campanhas presidenciais.Em 2010 e 2014, obteve 19% e 21% dos votos válidos nas eleições, respectivamente. Em 2016, apesar da agenda da ex-petista com candidatos da Rede, em apenas uma das dez capitais o candidato apoiado por ela figura entre os primeiros colocados
O partido da ex-senadora Marina Silva não consegue reproduzir o 'efeito Marina' das duas últimas campanhas presidenciais. Na ocasião, obteve 19% e 21% dos votos válidos nas eleições de 2010 e 2014
Por Redação, com Carta Capital - de São Paulo
A Rede Sustentabilidade, partido criado pela ex-senadora Marina Silva, completou seu primeiro ano de registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na semana passada. O desempenho da legenda nas campanhas municipais de 2016, contudo, ofuscou a comemoração.
O partido não consegue reproduzir o 'efeito Marina' das duas últimas campanhas presidenciais.Em 2010 e 2014, obteve 19% e 21% dos votos válidos nas eleições, respectivamente. Em 2016, apesar da agenda da ex-petista com candidatos da Rede, em apenas uma das dez capitais o candidato apoiado por ela figura entre os primeiros colocados.
Marina não conseguiu fazer com que seus candidatos decolassem
É o prefeito em reeleição em Macapá, Clécio Luís, que lidera com 27% das intenções de voto. A fonte é a última medição do Ibope, em 16 de setembro. Eleito em 2012 pelo PSOL, o prefeito da capital do Amapá chegou à Rede pelas mãos do senador Randolfe Rodrigues. Este é outro que migrou do PSOL para a Rede.
Molon não decola
O fraco desempenho do partido de Marina Silva ocorre até mesmo em Estados nos quais surpreendeu na disputa de 2014. No Rio de Janeiro, por exemplo, obteve 31% dos votos. Na capital fluminense, a disputa embolada pelo segundo lugar não inclui o deputado federal Alessandro Molon.
Com apenas 18 segundos no horário eleitoral gratuito de televisão, Molon tem utilizado a imagem de Marina para crescer nas pesquisas. Sem conseguir decolar nas intenções de voto. Porém, o também ex-petista aparece em oitavo com 2% das intenções de voto.
O mesmo ocorre na capital do Acre, Estado de origem de Marina. Ela venceu Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) no seu estado natal em 2014. Em 2016, porém, seu apoio a Carlos Gomes na disputa por Rio Branco não tem sido suficiente para o candidato sair do patamar de 1% nas pesquisas.
O coordenador da Executiva Nacional da Rede, Bazileu Margarido, minimiza o desempenho dos candidatos do partido.
– A Marina sempre falou que ninguém é dono de voto, que ninguém é dono do eleitor – afirma.
Agenda intensa
Apesar da negativa do coordenador da Rede, Marina participa ativamente da agenda dos candidatos. No Rio, ela tem integrado a campanha de Molon. Em São Paulo, além de gravar para o programa de Ricardo Young, tem feito corpo a corpo com eleitores ao lado dele nas ruas.
Nesta semana, a líder da Rede estará em Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Rio Branco.
– Ela (Marina) tem procurado apoiar nossas candidaturas, mas é nossa primeira eleição, o que é uma oportunidade de colocar nossas propostas – pondera Margarido.
O dirigente reconhece que nas capitais "a tensão é maior". Por isso, a Rede decidiu embarcar em coligações como a de Alexandre Kalil (PHS), em Belo Horizonte. Ele tem o ‘marineiro’ Paulo Lamac como vice.
Político experiente
Kalil surpreendeu ao aparecer em segundo lugar nas pesquisas, posição que vem consolidando e que deve colocá-lo no segundo turno da capital mineira. O aliado da Rede adotou como discurso o embate contra políticos tradicionais, o que o aproxima de Marina, cuja bandeira da "nova política" lastreou a criação da Rede.
Lamac, contudo, é um político experiente. Foi vereador por dois mandatos e está no segundo como deputado estadual. A Rede chegou a lançar sua candidatura à prefeitura de Belo Horizonte, com a presença de Marina, mas Lamarc desistiu para ser vice de Kalil.
A desistência irritou a líder da Rede, que até agora não participou da campanha de Kalil e Lamac na capital mineira. "Ele (Kalil) nos convidou e colocou que precisava de um melhor contato no meio político", diz em tom amenizador o coordenador nacional da Rede.
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