O Partido do Povo do Paquistão (PPP), da falecida Benazir Bhutto, reuniu-se neste domingo para discutir a sucessão da líder da oposição ao governo ditatorial de Pervez Musharraf, assassinada na última quinta-feira. Uma autoridade do partido afirmou que as eleições, que deveriam ocorrer em pouco mais de uma semana, podem ser adiadas. O assassinato de Bhutto em um ataque suicida deflagrou uma onda de violência no país e colocou em dúvida as eleições de 8 de janeiro, aprofundando a crise no importante aliado dos Estados Unidos contra o terrorismo que luta para sair do regime militar.
- Parece mais do que possível que as eleições sejam adiadas - disse Tariq Azim Khan, uma autoridade do Partido da Liga Muçulmana do Paquistão à agência inglesa de notícias Reuters.
O encontro aconteceu na casa da ex-premiê, no distrito de Larkana, no sul do país, durante o qual o filho de Bhutto, Bilawal Bhutto, deverá ler o testamento político deixado pela mãe. No documento, ela teria deixado instruções sobre o futuro do PPP. Correspondentes da rede inglesa de TV BBC no Paquistão dizem que há uma crescente especulação de que o marido de Bhutto, Asif Ali Zardari, será seu sucessor na liderança do partido.
Zardari disse que “caberá ao partido” decidir se ele será a melhor opção para a liderança do PPP.
- Isso vai depender do partido e do testamento - disse Zardari.
Ali Zardari desempenhou um papel importante durante as duas vezes em que Bhutto foi primeira-ministra, nos anos 80 e 90. Ele foi libertado sob fiança em novembro de 2004, após passar oito anos na prisão, acusado de corrupção e assassinato. O vice-líder do PPP e braço direito de Bhutto, Makhdoon Amin Fahim, também está sendo cotado para o posto, junto com o filho da ex-premiê, Bilawal Bhutto, de 19 anos. Membros do PPP, no entanto, afirmam que o estudante da Universidade de Oxford é ainda muito jovem para suceder a mãe.
Mais atentados
Neste sábado, o ex-procurador-geral do Paquistão e membro do PPP Iqbal Haider, também afirmou que o pleito deveria ser adiado, o que também tem sido defendido pelo principal adversário político de Bhutto, o ex-premiê Nawaz Sharif. A Comissão eleitoral paquistanesa convocou para a segunda-feira uma reunião para discutir o impacto da morte de Bhutto sobre as eleições parlamentares.
O ministro interino da Informação, Nisar Memon, disse à BBC que o país “continua no caminho da transição democrática”, mas que a decisão de adiar ou não as eleições seria tomada após consultas com os partidos políticos. A polícia paquistanesa disse neste domingo que suspeita que dois homens-bomba tenham tentado matar outra figura política do Paquistão. De acordo com as fontes policiais, dois homens detonaram os explosivos, talvez prematuramente, próximo à casa de Muhammad Ejaz-ul-Haq, ex-ministro para assuntos religiosos. Com exceção dos suicidas, ninguém ficou ferido no ataque.
País paralisado
Porta-voz do Partido da Liga Muçulmana do Paquistão, que apóia o presidente Pervez Musharraf e estava no poder até uma junta ser instaurada, mês passado, Khan espera um prazo entre seis e oito semanas de adiamento na realização das eleições. Karachi, a maior cidade do Paquistão, centro financeiro e principal porto, está paralisada com a violência nas ruas. Lojas foram depredadas, postos de gasolina fechados e estações de trem atacadas por gangues, levando à paralisação do transporte.
O número de mortos com a violência já chega a 47. O Partido do Povo do Paquistão de Bhutto descartou a afirmação do governo de que a al Qaeda teria matado a ex-premiê e afirma que a administração de Musharraf apenas está tentando encobrir suas falhas em protegê-la.
Sem o carisma de Bhutto, morta aos 54 anos, cuja a história da dinastia da família se confunde com a do Paquistão, diminuem as chances do partido de vencer as próximas eleições.