Partido contra União Europeia avança nas eleições locais da Grã-Bretanha
O partido britânico contrário à União Europeia, o Ukip, conseguiu sua maior votação nas eleições locais, aproveitando o descontentamento com a imigração e os políticos tradicionais para tomar votos dos conservadores, do primeiro-ministro David Cameron, e do Partido Trabalhista, de oposição.
Os resultados parciais de mais de um terço das zonas eleitorais mostraram que o Ukip ganhou 91 novos assentos
O partido britânico contrário à União Europeia, o Ukip, conseguiu sua maior votação nas eleições locais, aproveitando o descontentamento com a imigração e os políticos tradicionais para tomar votos dos conservadores, do primeiro-ministro David Cameron, e do Partido Trabalhista, de oposição.
Os ganhos do Partido da Independência do Reino Unido (Ukip, na sigla em inglês), que deseja a saída da Grã-Bretanha da União Europeia, vão intensificar a pressão sobre Cameron para endurecer a sua posição sobre a Europa, e também preocupam alguns conservadores pela possibilidade de o Ukip prejudicar a esperança deles de ganhar a eleição nacional de 2015.
Se a tendência indicada pelos resultados parciais das eleições locais se refletir nas eleições para o Parlamento Europeu, também realizadas na quinta-feira na Grã-Bretanha, a votação vai marcar o maior triunfo eleitoral até o momento para o líder do Ukip, Nigel Farage.
Muitas vezes fotografado com um copo de cerveja na mão e um cigarro na boca, Farage se apresenta como o antídoto para os políticos tradicionais da Grã-Bretanha, a quem ele acusa de ignorar as preocupações do eleitorado sobre todos os assuntos, desde a imigração e a participação na UE até o preço do álcool e a criminalidade.
Farage disse que os resultados representam "a raposa do Ukip no galinheiro Westminster" e prometeu ir com tudo para tentar ganhar assentos no Parlamento britânico na eleição nacional do próximo ano, um objetivo que as pesquisas até agora apontam como improvável.
- Muito bom o sólido desempenho do Ukip em todo o país. Isso é uma coisa realmente interessante: nas grandes áreas dos conservadores, nas grandes áreas dos trabalhistas, estamos conseguindo consistentemente um aumento de até 20 por cento - disse Farage em rede nacional.
- O país inteiro já está farto da elite política no comando e uma mudança é muito necessária - disse John Allen, um motorista de táxi de 41 anos, que votou no Ukip em Essex.
Os resultados parciais de mais de um terço das zonas eleitorais mostraram que o Ukip ganhou 91 novos assentos. Os trabalhistas ganharam 132 novos assentos, e os conservadores perderam 118 e os liberais-democratas perderam 116.
Cameron chamou o Ukip certa vez de um grupo de "malucos e racistas enrustidos" e alguns dos membros do partido têm sido repreendidos por uma série de declarações racistas, sexistas e homofóbicas, inclusive aconselhando as mulheres a limpar casas corretamente e uma afirmação de que inundações no país foram punição para o casamento gay.
Farage, que negou que seu partido seja racista ou sexista, havia prometido usar as eleições europeias e locais para provocar um "terremoto político" na Grã-Bretanha.
No entanto, um sistema de votação diferente na eleição nacional do próximo ano, que favorece os partidos maiores, torna a tarefa difícil. Pesquisas de opinião mostram que muitos eleitores vão votar nos partidos que têm favorecido tradicionalmente.
Uma pesquisa do YouGov sobre as intenções de voto para a eleição do próximo ano publicada nesta sexta-feira aponta o apoio ao Ukip em 14%, atrás dos conservadores e dos Trabalhistas, com 34% cada.
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