Rio de Janeiro, 25 de Setembro de 2026

Partidários de Heloisa Helena não a convencem a nova corrida sucessória

Segunda, 24 de Agosto de 2009 às 09:22, por: CdB

Após três dias de debates, durante o 2º Congresso do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), encerrado no final da noite passada, a ex-senadora Heloísa Helena não concordou em se lançar candidata à sucessão presidencial pela legenda. A maioria dos 372 delegados nacionais quer que o partido apresente candidatura própria à Presidência da República, mas será necessária uma nova convenção, dentro de dois meses, para definir quem representará o partido nas eleições do ano que vem.

– Eu não aceito ser obrigada a não respeitar Marina Silva nas minhas declarações públicas. Isso gera um dissenso partidário. O partido deve construir o seu programa, apresentar as alternativas concretas para o Brasil e só então discutir qual o melhor quadro partidário para representar esse projeto. Eu tenho a dizer que Marina Silva é uma das mais valorosas militantes que a esquerda já produziu. E eu não vou aceitar que queiram me proibir de dar essas declarações públicas – disse Helena aos jornalistas, à saída do congresso.

Heloísa estuda junto aos seus pares uma possível candidatura ao Senado pelo Estado de Alagoas, o que abre a possibilidade de o advogado Plínio de Arruda Sampaio sair candidato à Presidência da República.

Solidariedade

A solidariedade com o povo hondurenho, que sofreu recente golpe militar, e o combate à presença de forças militares norte-americanas na Colômbia foram alguns dos temas mais citados na abertura do Seminário Internacional do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). Com o tema Crise: Alternativas na América Latina para o Mundo, o evento contou com a presença de representantes de movimentos e partidos de esquerda da Bolívia, Peru, Colômbia e do presidente da Fundação Lauro Campos, Milton Temer.

O primeiro integrante da mesa a falar foi o dirigente do partido Movimento para o Socialismo (MAS), Sérgio Loyaza, representante da Bolívia. Ele deu um depoimento sobre a luta do povo indígena, que representa a origem social do presidente Evo Morales, e o temor sobre a organização das forças conservadoras que querem voltar ao poder no país. "Há uma direita que está conspirando contra o nosso Governo. Temos derrotado as oligarquias na Bolívia, mas queremos que as forças indígenas e movimentos sociais se relacionem cada vez mais".

Segundo Loayza, o povo boliviano está consciente da mudança em curso. "Não marginalizamos e excluímos ninguém. Nossa filosofia é manter o clima e o equilíbrio, não existe o conceito de exploração"

Milton Temer, presidente da Fundação Lauro Campos e fundador do PSOL, destacou que os temas tratados no seminário não são de interesse da grande imprensa brasileira, que está aliada ao grande capital. Completou que o partido apóia a reeleição de Evo Morales e posiciona radicalmente contra a presença das forças militares na Colômbia. "A importância deste seminário é demonstrar solidariedade com os processos revolucionários da América Latina. A esquerda existe, a utopia existe, a força dos povos tem como se impor a força do capital".

Sobre a Venezuela, de acordo com Temer, se há simpatia do governo Lula com Hugo Chávez, a motivação é mais econômica do que ideológica.

– Há um superávit de US$ 5 bilhões em jogo – afirmou.

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