Rio de Janeiro, 17 de Setembro de 2026

Participação da Otan no Iraque fica cada vez mais distante

Segunda, 17 de Maio de 2004 às 11:15, por: CdB

A França, a Polônia e a Alemanha praticamente acabaram na segunda-feira com as esperanças norte-americanas de que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) decida em sua cúpula, em junho, assumir um papel mais ativo na estabilização do Iraque.

"Não tenho nenhuma bola de cristal, mas está claro que a situação no Iraque ... torna muito duvidosas as chances de isso acontecer em um futuro próximo", disse a ministra da Defesa da França, Michele Alliot-Marie, depois de uma reunião com ministros europeus.

Os Estados Unidos haviam pedido no mês passado à Otan que ajudasse a manter a segurança no Iraque pós-guerra. Para isso, deveria concordar, na cúpula que acontece em 28 e 29 de junho em Istambul, em assumir o comando de uma força multinacional que atualmente é liderada pela Polônia.

Mas diplomatas consideram essa possibilidade cada vez mais remota, por causa da escalada de violência e do escândalo de maus-tratos a prisioneiros no Iraque, além da política norte-americana para o Oriente Médio e da intenção da Otan em se concentrar na sua missão de paz no Afeganistão.

"Não posso descartar ou prever quaisquer decisões da aliança", disse o secretário-geral da Otan, Jaap de Hoop Scheffer, em Bruxelas. Ele vem dizendo há meses que um envolvimento da Otan depende de uma resolução do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) que dê aval à operação, além de um convite oficial feito por um governo iraquiano legítimo.

Ele indicou que será difícil chegar a qualquer decisão na cúpula de Istambul, já que ela acontece 48 horas antes da entrega da soberania do Iraque aos iraquianos pelas forças de ocupação, prevista para 1o. de julho.

O ministro da Defesa da Polônia, Jerzy Szmajdzinski, disse a repórteres na reunião da União Européia que, sem o Conselho de Segurança, não via perspectiva de uma decisão sobre o papel da Otan, e acrescentou que o ataque a bomba que matou nesta segunda-feira o chefe do Conselho de Governo do Iraque piorou a situação.

"Vai depender muito de como a situação se desenrolar. Precisamos de um governo com credibilidade no Iraque, e não de um de marionetes", afirmou.

A Polônia inicialmente pressionou a Otan a assumir o comando da força multinacional que lidera no centro-sul do Iraque, mas voltou atrás nos últimos meses porque isso significaria perder o apoio financeiro dos EUA.

"Não queremos que a Otan mande nenhum soldado", disse Szmajdzinski. Segundo ele, a aliança poderia oferecer treinamento para soldados iraquianos.

A Alemanha disse que não vetaria um consenso sobre uma possível missão da Otan no Iraque, mas, assim como a França, expressou suas ressalvas, e ambos os Estados descartaram enviar soldados seu para o Iraque.

Diplomatas disseram também que aliados europeus que se opõem à política sobre o Iraque da administração Bush não devem apoiar uma intervenção maior da Otan antes das eleições presidenciais norte-americanas, em novembro.

Tags:
Edições digital e impressa