Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

Parte do PT de MG incentivou rebeldia de Guimarães

Parte da bancada do PT de Minas Gerais incentivou a rebeldia do candidato a presidente da Câmara Virgílio Guimarães (PT-MG) à Presidência da Casa contra a candidatura oficial do partido, representada pelo deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP). (Leia Mais)

Segunda, 10 de Janeiro de 2005 às 17:29, por: CdB

Parte da bancada do PT de Minas Gerais incentivou a rebeldia do candidato a presidente da Câmara Virgílio Guimarães (PT-MG) à Presidência da Casa contra a candidatura oficial do partido, representada pelo deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP). O argumento usado para justificar a estratégia é que Minas Gerais não está devidamente representado no governo, depois do excelente desempenho do PT mineiro nas eleições municipais. Nos bastidores, Guimarães também teve o apoio do presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), para iniciar a empreitada.

Magoado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com a cúpula do partido, o deputado do PT de Minas Gerais decidiu esticar a corda.

"Mas não fiz nada pensando em cargos", disse, na semana passada, negando boatos de que o plano final seja disputar a presidência nacional da legenda, em setembro, com o presidente nacional da sigla, José Genoino, candidato à reeleição.

Para ir contra Greenhalgh, Guimarães alegou que a agremiação sempre apoiou o lançamento de candidatura avulsa quando era oposição, atitude que irritou Lula. "A escolha de Virgílio para o comando da Câmara dos Deputados seria uma demonstração de prestígio do PT de Minas, já que o atual presidente, João Paulo Cunha, é de São Paulo", afirmou o vice-presidente nacional do PT Romênio Pereira.

Conterrâneo do deputado do PT mineiro, Pereira disse ainda que ele "foi o mais votado" na eleição interna da bancada petista. "A reação do Virgílio, sem dúvida, foi por mágoa, já que ele prestou enormes serviços ao governo", observou, ao lembrar que o deputado do PT foi o relator da reforma tributária.

Para o vice-presidente nacional do PT, os petistas mineiros "deveriam ser melhor representados" no partido e na administração federal. Atualmente, a legenda tem três integrantes do Estado no ministério - os ministros do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, especial dos Direitos Humanos, Nilmário Miranda, e o chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Luiz Dulci. Em contrapartida, abriga quatro do Rio Grande do Sul, Estado onde a legenda amargou importantes derrotas em Porto Alegre, Caxias do Sul e Pelotas.

"O PT mais do que dobrou o número de prefeitos em Minas, na eleição de outubro: tinha 35 e hoje tem 87", destacou Pereira. Mas, na avaliação do prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), essa briga de Estados não leva a nada.

Reeleito no primeiro turno, Pimentel declarou que Guimarães deve respeitar a escolha do deputado do PT de São Paulo para a presidência da Câmara.

A grande incógnita até agora, porém, é por que o presidente da Câmara entrou nesse jogo ao lado do deputado mineiro. Se queria embolar o meio-de-campo e forçar a retirada da candidatura Greenhalgh para mostrar o poder de fogo, queimou-se. O presidente da República ficou furioso e João Paulo foi obrigado a recuar.

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