Rio de Janeiro, 21 de Maio de 2026

Parque Paleontológico de São José de Itaboraí é revitalizado

Segunda, 20 de Junho de 2005 às 06:44, por: CdB

A revitalização do Parque Paleontológico de São José de Itaboraí - uma das principais reivindicações de pesquisadores ligados à geologia, paleontologia, arqueologia e meio ambiente do Estado do Rio de Janeiro - está próximo da realidade.

No dia 1º de junho, uma reunião decidiu pela colocação de uma cerca demarcando o parque e pela recuperação de um galpão e de uma sala de recepção para as futuras instalações no local.
O encontro contou com a presença de representantes do Instituto Virtual de Paleontologia (IVP) da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), órgão da Secretaria estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação, da Petrobras e do Departamento de Recursos Mineirais (DRM), vinculado à Secretaria estadual de Energia, Indústria Naval e Petróleo, além de 20 estudantes bolsistas do Programa Jovens Talentos - uma parceria da Faperj com o Centro de Ciências do Estado do Rio de Janeiro(Cecierj), também da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação, e com a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) - da Escola Municipal Francesca Carey.

Os estudantes estão recebendo treinamento para se tornarem futuros guias-mirins no parque. O trabalho desses guardiões, que começou no dia 5 de novembro do ano passado com uma reunião entre os bolsistas e seus orientadores - pesquisadores ligados ao IVP -, faz parte dos esforços do instituto para revitalizar a área.

As atividades desenvolvidas pelos estudantes estão divididas em cinco temas: geologia, a comando do presidente da APG (Associação dos Profissionais de Geologia), Benedicto Humberto Francisco; paleontologia, sob orientação de Lílian Bergqvist, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro); arqueologia, com Maria da Conceição Beltrão, do Museu Nacional/UFRJ; meio ambiente, com Beatriz de Carvalho Penna, da UFRJ; e educação, com Cibele Schwanke, também da UFRJ.

Para a coordenadora do IVP, Maria Antonieta Rodrigues, a revitalização da área é essencial para que o distrito de São José entre num novo ciclo de crescimento econômico.

- O projeto pode vir a gerar vários empregos diretos e indiretos em turismo ambiental na região, que hoje está funcionando praticamente como uma cidade-dormitório - afirmou.

Há pouco mais de um ano, o IVP colocou como uma de suas prioridades a revitalização do parque. No dia 4 de março, um encontro reunindo pesquisadores e autoridades decidiu pela cessão de funcionários da Prefeitura de Itaboraí para cuidar da manutenção de trilhas e segurança do local. Em 2004, várias manifestações foram organizadas para lembrar as dificuldades de recuperação do lugar. Na festa dos 171 anos de Itaboraí, em 29 de maio, estudantes, vestindo camisetas com dizeres em apoio ao parque, saíram às ruas para comemorar a data.

Situado na localidade de São José, em Itaboraí, a região reúne registros de rochas que variam de 65 a 70 milhões de anos até depósitos mais recentes relacionados ao homem pré-histórico. A bacia calcária de São José é a única do Estado do Rio que conta com fósseis, principalmente de mamíferos primitivos, répteis, aves e sementes, entre outros.

Em 1984, deixando uma cava de 70 metros de profundidade, a mineração encerrou suas atividades e doou o terreno para a prefeitura. Logo, a cava foi sendo preenchida por água subterrânea e de chuvas, o que criou um lago artificial que atualmente abastece de água os cerca de 10 mil moradores da localidade. Em 2 de abril de 1990, a Prefeitura de Itaboraí declarou a área de utilidade pública e, em dezembro de 1995, foi criado o Parque Paleontológico de Itaboraí, através da Lei municipal 1.345/95.

A organização não-governamental Instituto Walden, uma das parceiras do IVP no projeto de revitalização do parque, elaborou um projeto que prevê um museu, trilhas ecológicas/geológicas, laboratórios e infra-estrutura para os visitantes. Este projeto visa à criação de empregos gerados pelo turismo ambiental,

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