Presidente da Parmalat Brasil, Ricardo Gonçalves declarou que a empresa poderá fechar as portas em questões de dias se não conseguir alguma forma de obter R$ 75 milhões para continuar suas atividades. Ele disse ainda que foi autorizado pela matriz italiana a negociar a venda da Parmalat no país ou de parte dela. Segundo Gonçalves, já há interessados na compra de parte da empresa.
Ricardo Fontes compareceu nesta quinta-feira à comissão especial da Câmara, criada para acompanhar a crise financeira da companhia. O cenário apresentado o de paralisação de quatro unidades da empresa no Brasil e problemas incontornáveis em três outras por falta de matéria-prima. A dívida total da Parmalat Brasil é estimada em US$ 160 milhões.
- A situação da empresa evolui de forma dramática - disse.
Segundo fontes, a Parmalat tem fôlego para manter a produção de suas fábricas, no máximo, até a semana que vem, acrescentando que os executivos negociam com o Banco do Brasil a liberação de R$ 13 milhões que estão em conta-corrente, além de outras verbas que foram bloqueadas pelo banco.
Nesta quinta-feira, a fábrica de Santa Helena, em Goiás, onde são feitos produtos lácteos, paralisou sua produção. Em Jundiaí, a fábrica de biscoitos permanece parada, mas a de sucos voltou a operar precariamente. A unidade com maior volume de produção é a de Carazinho, no Rio Grande do Sul, que conseguiu manter 80% de produção de leite longa vida 'premium'. Em Araçatuba e Itaperuna, a produção equivale a 50% da normal.
Com uma operação de emergência, os executivos da Parmalat estão monitorando linha por linha de produção, transferindo matéria-prima para as que têm mais condições de operar. Eles calculam que o esquema poderá funcionar até sexta-feira da semana que vem.
Entretanto, Gonçalves ressaltou que a folha de pagamento dos funcionários está em dia e que a empresa ainda é viável:
- Podemos continuar operando.
O executivo pediu ao governo a edição de uma medida provisória (MP) alterando algumas regras da Lei de Falências para ajudar a empresa a superar sua crise financeira. Segundo ele, a MP poderia permitir que a Parmalat usasse seus ativos para obter financiamento e conseguir continuar funcionando, o que não é permitido pela atual legislação.
O presidente da Parmalat disse ainda que a MP seria uma antecipação da nova Lei de Falências, que já foi aprovada na Câmara e está tramitando no Senado.
- A edição da MP, colocando em vigor a lei de falências, permitiria uma injeção de capital de outros parceiros da empresa, viabilizando as unidades, mantendo o pagamento dos produtores, permitindo a viabilização da empresa. Do jeito que as coisas estão, ela pode fechar as portas - explicou o deputado Leonardo Vilela (PP-GO).