O futuro incerto da Parmalat no Brasil tem deixado os pequenos produtores de leite temerosos com as baixas de preço no mercado. Em duas semanas, o valor pago pelo litro do líquido, no Agreste, caiu de R$ 0,44 para até R$ 0,32.
Embora a indústria de laticínios ainda não tenha acumulado dívidas em Pernambuco, estima-se que 5 mil pequenos produtores do Estado estejam amargando prejuízos. A denúncia parte do presidente de honra da Cooperativa Agropecuária de Garanhuns (Coopergal), José Maria Azevedo. Atualmente, a Parmalat compra 15% da demanda produzida diariamente em nível local, o equivalente a 150 mil litros diários
Com o intuito de minimizar a crise, agravada pela seca que assola a região, o governador Jarbas Vasconcelos estará recebendo representantes do Sindicato das Indústrias do Leite (Sindileite) nesta sexta-feira. Os produtores temem que a multinacional, proprietária de uma unidade de beneficiamentos em Garanhuns, não honre com os pagamentos a vencer no final do mês. Entretanto, os pequenos não foram convidados a participar do encontro.
Em protesto, a Sociedade dos Criadores do Agreste Meridional (Socam) enviou, ontem, nota à Imprensa onde afirmava que, apesar de os produtores de menor porte serem responsáveis por 90% do leite extraído no Agreste, eles continuam excluídos do Programa Leite de Pernambuco.
-Na cooperativa, somos mais de 1 mil produtores, só que não temos acesso ao programa -comentou.
A Parmalat Finanziaria, holding do grupo italiano Parmalat, foi declarada ontem em estado de insolvência pelo tribunal de Parma, cidade na qual a empresa tem sua sede. O estado de insolvência, anunciado pelo tribunal, envolve também as filiais Eurolat e Lactis.
Medida semelhante foi adotada no dia 27 de dezembro contra a Parmalat SPA, que é a principal filial da Parmalat Finanziaria e também a empresa responsável pela administração dos ativos industriais desse grupo.
Nesta quinta-feira, promotores italianos ampliaram a investigação de fraudes do grupo alimentício Parmalat, incluindo dois auditores ligados à Deloitte & Touche e um ex-executivo do Bank of America. Em Luxemburgo, foi divulgada investigação sobre lavagem de dinheiro ligada à Parmalat.
O número de pessoas investigadas no caso Parmalat já chega a 25, incluindo agora os auditores Giuseppe Rovelli e Adolfo Mamoli, que avalizaram as contas da Parmalat entre 1999 e 2003. O grupo italiano anunciou ontem que afastou a Deloitte.